CentroesteNews
14/07/2025
Com 90 casos confirmados de sarampo na Bolívia e a declaração de Emergência Sanitária Nacional pelo país vizinho, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) de Mato Grosso está ampliando as ações de vigilância e vacinação nos municípios que fazem fronteira com a Bolívia. A medida tem caráter preventivo e visa evitar a entrada e disseminação do vírus no território mato-grossense, especialmente na região Oeste.
Até o momento, Mato Grosso não registra casos confirmados da doença. No entanto, a superintendente de Vigilância em Saúde da SES, Alessandra Moraes, alertou para o risco de reintrodução do vírus, devido à circulação intensa de pessoas nas áreas de fronteira. Ela destacou que a mobilização segue diretrizes do Ministério da Saúde, com foco em proteger as regiões mais vulneráveis.
Entre as principais estratégias adotadas está a aplicação da chamada “Dose Zero” da vacina em crianças de seis a onze meses e vinte e nove dias de idade. Essa dose extra tem caráter emergencial e não substitui as doses regulares previstas no calendário vacinal. Além disso, a população entre nove meses e cinquenta e nove anos também está sendo orientada a receber a vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola.
A SES está atuando em parceria com os municípios para garantir a distribuição de vacinas, monitorar a cobertura vacinal e investigar casos suspeitos. Segundo Alessandra Moraes, é fundamental que as equipes de saúde localizem pessoas não vacinadas, façam a busca ativa e notifiquem qualquer caso suspeito de manchas vermelhas na pele no prazo de até 24 horas.
Apesar do reforço na campanha, os índices de vacinação ainda estão abaixo do ideal. Em 2025, a cobertura da primeira dose da tríplice viral no estado é de 87,9%, enquanto a segunda dose atinge apenas 68,5%. A meta recomendada pelo Ministério da Saúde é de 95% para ambas as etapas.
O coordenador estadual de Imunização, Marx Camarão, alertou para a alta transmissibilidade do sarampo, que é uma doença viral grave, transmitida pelas vias respiratórias. Ele ressaltou que o vírus pode causar complicações como pneumonia, encefalite e até levar à morte, especialmente em crianças pequenas e pessoas não vacinadas.
“A única forma eficaz de evitar a circulação do vírus é manter a cobertura vacinal elevada em todas as faixas etárias indicadas”, concluiu Camarão.