O mais recente levantamento do MapBiomas sobre a superfície coberta por água no Brasil revela um cenário de contrastes em 2025. Após enfrentar dois anos consecutivos de seca severa, a Amazônia apresentou uma recuperação significativa de seus recursos hídricos. Em contrapartida, o Pantanal continua registrando níveis historicamente baixos de água, enquanto o país mantém uma tendência de redução da superfície hídrica observada nas últimas quatro décadas.
Os dados reforçam que, embora tenha ocorrido uma melhora em relação a 2024, a segurança hídrica brasileira ainda inspira preocupação diante das mudanças climáticas e das alterações provocadas pelo uso da terra.
Amazônia registra recuperação acima da média histórica
Responsável por concentrar 61,4% de toda a superfície de água existente no Brasil, a Amazônia encerrou 2025 com um volume hídrico 2,6% superior à sua média histórica.
A recuperação foi impulsionada principalmente pelos estados do Pará, que registrou aumento de aproximadamente 142 mil hectares de superfície coberta por água, e do Amazonas, com crescimento de cerca de 87 mil hectares.
Segundo o MapBiomas, o resultado representa um alívio após o período de seca extrema vivido pelo bioma nos anos anteriores, quando rios atingiram níveis críticos e milhares de comunidades foram afetadas.
Pantanal segue em situação crítica
Enquanto a Amazônia apresentou recuperação, o Pantanal permanece como o bioma mais afetado pela escassez hídrica.
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O levantamento mostra que, em 2025, a superfície de água ficou 56% abaixo da média histórica de 1,56 milhão de hectares. O Pantanal foi o único bioma brasileiro em que todos os meses do ano registraram índices inferiores à média histórica.
O cenário preocupa pesquisadores devido aos impactos sobre a biodiversidade, a pesca, a pecuária, o turismo e o aumento da frequência de incêndios florestais na região.
Brasil ainda apresenta tendência de redução da água
Em todo o território nacional, a superfície coberta por água atingiu 18,2 milhões de hectares em 2025, representando crescimento de 5,3% em comparação com 2024.
Apesar da recuperação anual, o índice permanece abaixo da média histórica brasileira.
A análise das últimas quatro décadas demonstra uma tendência contínua de redução dos recursos hídricos superficiais. Comparando a primeira década da série histórica (1985 a 1994) com o período mais recente (2015 a 2024), o Brasil perdeu, em média, cerca de 2,6 milhões de hectares de superfície de água.
Influência da ação humana
O estudo também destaca que a maior parte da água existente no país ainda possui origem natural, representando 76,7% da superfície hídrica brasileira.
Os outros 23,3% correspondem a corpos d’água criados pela ação humana, como reservatórios, barragens, açudes e hidrelétricas.
O Cerrado concentra a maior proporção de água armazenada em reservatórios de hidrelétricas, respondendo por 55,1% desse tipo de superfície hídrica. Já a Caatinga apresenta a maior participação de corpos d’água artificiais, com 78% da sua superfície hídrica formada por estruturas construídas pelo homem.
Mudanças climáticas mantêm alerta
Os pesquisadores ressaltam que a recuperação observada na Amazônia em 2025 representa um resultado positivo, mas isolado. Segundo o estudo, o avanço das mudanças climáticas, a ocorrência mais frequente de eventos extremos e as transformações no uso da terra continuam provocando instabilidade nos recursos hídricos brasileiros.
Além dos impactos ambientais, a redução da disponibilidade de água afeta diretamente comunidades ribeirinhas, povos tradicionais, atividades agrícolas, geração de energia e a conservação da biodiversidade.
O levantamento reforça a necessidade de ampliar políticas públicas voltadas à proteção dos recursos hídricos e à adaptação dos biomas brasileiros diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas.