CentroesteNews
22/08/2025
Um relatório divulgado nesta quarta-feira (20) pela SaferNet Brasil revelou um dado alarmante: entre 1º de janeiro e 31 de julho de 2025, foram registradas 49.336 denúncias anônimas de abuso e exploração sexual infantil na internet. O número representa um aumento de 18,9% em relação ao mesmo período do ano passado.
As notificações de abuso infantil correspondem a 64% de todos os crimes cibernéticos denunciados à organização no período — que incluem ainda casos de racismo, misoginia, homofobia, ameaças e violência contra a mulher.
Segundo a SaferNet, os dados reforçam o agravamento da violência contra crianças e adolescentes no ambiente digital e evidenciam a necessidade urgente de políticas de proteção mais rígidas.
Inteligência artificial na produção de conteúdos abusivos
O relatório aponta como tendência preocupante o uso de inteligência artificial generativa para a criação de conteúdos envolvendo abuso sexual infantil. As práticas incluem desde a manipulação de imagens reais até a produção de deepfakes e materiais hiper-realistas feitos a partir de simples comandos de texto.
De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), mesmo imagens manipuladas ou artificiais configuram crime.
“A proliferação de aplicativos de IA generativa permite que se pegue a foto de uma pessoa vestida e se tire a roupa daquela pessoa”, alertou Thiago Tavares, fundador e diretor-presidente da SaferNet Brasil.
Para enfrentar essa ameaça, a organização lançou uma chamada pública destinada a adolescentes vítimas ou testemunhas da criação de imagens não consensuais com uso de IA. O objetivo é coletar relatos e propor medidas de proteção mais eficazes.
Adultização e impacto das redes sociais
O crescimento das denúncias também foi impulsionado pela repercussão de um vídeo do influenciador Felca, que denunciou perfis responsáveis por promover a adultização de crianças e adolescentes nas redes sociais.
Entre os dias 6 e 18 de agosto, período em que o vídeo viralizou, foram registradas mais de 6,2 mil denúncias, sendo que 52% delas ocorreram após a publicação do conteúdo.
A mobilização digital pressionou o Congresso e fez com que a Câmara dos Deputados pautasse o Projeto de Lei (PL) nº 2.628/2022, que obriga plataformas digitais a adotar mecanismos para prevenir o acesso de crianças e adolescentes a conteúdos ilegais ou inadequados.
Como denunciar
Casos de abuso e exploração sexual infantil na internet podem ser denunciados de forma anônima na Central Nacional de Denúncias da SaferNet Brasil, conveniada com o Ministério Público Federal.
Em situações de suspeita de violência sexual contra crianças e adolescentes fora do ambiente digital, a orientação é acionar o Disque 100, canal nacional de proteção dos direitos humanos.