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12/01/2026
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O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, voltou a elevar o tom contra os Estados Unidos ao publicar, no domingo (11), uma imagem simbólica que mostra o presidente norte-americano Donald Trump em um sarcófago quebrado. A montagem, divulgada em canais oficiais ligados ao regime, foi interpretada como uma ameaça política e uma tentativa de demonstrar que o poder dos EUA estaria fadado ao declínio.
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A publicação ocorre poucos dias após Trump endurecer o discurso contra Teerã, sinalizando que não descarta uma intervenção internacional diante da escalada de violência do regime contra manifestantes. Desde o início dos protestos, mais de 538 pessoas morreram, segundo organizações independentes de direitos humanos, tornando a atual crise uma das mais letais da história recente do país.
Na legenda da imagem, Khamenei comparou Trump a figuras históricas vistas como tiranos, afirmando que líderes arrogantes, no auge do poder, acabam inevitavelmente derrubados. A mensagem reforça a narrativa do regime iraniano de enfrentamento direto ao Ocidente e busca mobilizar apoio interno em um momento de forte desgaste político.
As manifestações tiveram início em dezembro de 2025, impulsionadas pela grave crise econômica, pela desvalorização acelerada do rial iraniano e pela alta do custo de vida. Com o passar das semanas, os atos deixaram de ser apenas econômicos e passaram a questionar abertamente o sistema teocrático, o papel do Judiciário e a concentração de poder nas mãos dos aiatolás.
Relatos indicam que os protestos se espalharam por diversas cidades, incluindo Teerã, com slogans que pedem mais liberdades civis, reformas estruturais e o fim da repressão estatal. A resposta do governo foi imediata e violenta, com uso de forças de segurança, prisões em massa e julgamentos acelerados.
De acordo com dados da Human Rights Activists News Agency (HRANA), 490 das vítimas fatais eram manifestantes, enquanto 48 eram agentes de segurança. O número de presos já ultrapassa 10 mil pessoas, muitas delas detidas sem acesso a advogados ou familiares.
Para conter a disseminação de informações, o regime impôs um apagão quase total da internet, segundo a ONG de cibersegurança Netblocks, dificultando a checagem independente de dados e isolando o país do fluxo global de notícias. O bloqueio digital reforça as denúncias de violações sistemáticas de direitos humanos.
Enquanto isso, o governo iraniano insiste em atribuir os protestos a uma suposta interferência externa, acusando Estados Unidos e Israel de estimularem a instabilidade. Já os opositores sustentam que a revolta é consequência direta da má gestão econômica, da corrupção e da falta de liberdades políticas.
A provocação visual de Khamenei contra Trump evidencia que, além da crise interna, o Irã aposta na retórica de confronto internacional como forma de reforçar sua legitimidade perante setores mais conservadores. Analistas avaliam que esse tipo de discurso aumenta o risco de sanções adicionais, isolamento diplomático e até escaladas militares, em um cenário regional já marcado por tensões no Oriente Médio.