CentroesteNews
26/08/2025
Um levantamento realizado por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) revela que os impactos da violência no Brasil atingem de forma desigual diferentes grupos sociais. Os mais vulneráveis são adolescentes e jovens adultos, mulheres e pessoas negras.
O estudo utilizou dados das notificações médico-hospitalares do Sistema Único de Saúde (SUS) e estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referentes aos anos de 2022 e 2023. A pesquisa foi conduzida pela Agenda Jovem Fiocruz (AJF) e pela Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz).
Segundo os pesquisadores, 65% das mortes de jovens no período analisado foram causadas por fatores externos, como violências e acidentes. Do total de 128.826 óbitos, 84.034 foram atribuídos a essas causas. Entre os adolescentes de 15 a 19 anos, a exposição à violência física é maior, principalmente em situações de conflito. Já na faixa etária de 20 a 24 anos, os jovens estão mais sujeitos a mortes violentas, com taxa de 390 óbitos para cada 100 mil habitantes.
As notificações mostram que a agressão física responde por 47% dos casos entre jovens, seguida por violência psicológica e moral (15,6%) e violência sexual (7,2%). De acordo com o estudo, quanto mais jovem a vítima, maior a incidência de violência física; quanto mais velha, mais frequente a violência psicológica.
O recorte racial também expõe desigualdades. Jovens pretos e pardos representam 54,1% das notificações de violência registradas no SUS e concentram quase três quartos (73%) dos óbitos por causas externas. Foram 61.346 mortes de jovens negros no período. Quando considerados sexo e cor da pele, a mortalidade entre jovens homens negros chega a 227,5 para cada 100 mil habitantes.
O estudo mostra ainda que as mulheres estão entre as principais vítimas das violências notificadas no SUS, em todos os estados e no Distrito Federal, com destaque para adolescentes de 15 a 19 anos. No Espírito Santo e no DF, a proporção chega a um caso de violência para cada grupo de 100 mulheres. Entre as causas de mortes violentas mais frequentes estão disparos de arma de fogo e cortes provocados por objetos perfurantes.
Outro dado relevante é que jovens com deficiência estão entre os mais afetados. Eles representam 20,5% das notificações de violência, em sua maioria relacionados a transtornos mentais, de comportamento ou deficiência intelectual.