CentroesteNews
03/11/2025
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o combate ao crime organizado no Brasil só será efetivo quando o Estado conseguir bloquear as fontes de financiamento das facções. A declaração foi feita na última sexta-feira (31/10), em São Paulo, durante coletiva sobre os resultados da Operação Fronteira, coordenada pela Receita Federal.
“Além de cumprir mandados e atuar nos territórios, é preciso asfixiar o financiamento do crime. Temos que entrar por cima, combatendo e bloqueando as fontes de dinheiro das organizações”, disse Haddad.
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O ministro comparou a estrutura das facções à de uma cadeia empresarial e defendeu que as ações de repressão cheguem aos líderes responsáveis pela movimentação financeira do crime:
“Não adianta só o chão de fábrica. Precisamos chegar nos CEOs do crime organizado. Se não chegar na diretoria e na gerência, o dinheiro vai continuar voltando para abastecer o crime.”
As declarações ocorreram na mesma semana em que uma megaoperação policial no Rio de Janeiro deixou mais de 120 mortos, repercutindo no Brasil e no exterior. Para Haddad, operações violentas e pontuais não bastam:
“Não adianta atuar apenas nas comunidades se o comando financeiro continua impune. O verdadeiro bandido muitas vezes está em outro país, usufruindo da riqueza acumulada ilicitamente e aliciando jovens. É preciso atuar em todas as camadas do crime.”
Durante a coletiva, Haddad cobrou publicamente que o governador do Rio, Cláudio Castro (PL), articule apoio dentro do partido para aprovação da chamada Lei do Devedor Contumaz, que endurece punições a empresas que utilizam a inadimplência fiscal de forma sistemática como modelo de negócio.
“Peço que o governador convença sua bancada a votar a favor da lei do devedor contumaz. Precisamos trabalhar em todas as camadas da atuação criminosa. O PL precisa compreender a importância desse projeto, que estava adormecido.”
O ministro associou os chamados devedores contumazes ao financiamento indireto do crime organizado, especialmente no Rio de Janeiro:
“O devedor contumaz é um tipo sofisticado de sonegador, que usa estratégias jurídicas para esconder o dinheiro ilícito. Por trás dele, há o crime organizado.”