A insistência política ganha um novo fôlego vindo do Nordeste após a inesperada derrota do governo no Senado Federal. O governador do Piauí, Rafael Fonteles, veio a público neste sábado para defender uma estratégia de resistência que pode mudar os rumos do Palácio do Planalto nos próximos dias. Para Fonteles, o presidente Lula não deve apenas lamentar o revés, mas sim aperfeiçoar sua articulação política e reapresentar o nome de Jorge Messias para a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal. O governador acredita que o Brasil não pode abrir mão de um perfil que ele classifica como humano, justo e tecnicamente impecável, reforçando que a rejeição do advogado-geral da União foi uma perda significativa para a representatividade e a qualidade da nossa Corte máxima.
A análise de Fonteles toca em uma ferida aberta dentro da base governista: a percepção de que houve uma insatisfação velada e uma falha de comunicação entre o governo e seus supostos aliados. Sem apontar nomes específicos, o chefe do executivo piauiense sugeriu que o placar desfavorável revelou traições silenciosas de parlamentares que deveriam caminhar com o Planalto. Esse movimento de apoio público busca pressionar por uma correção de rota na liderança do governo no Senado, hoje sob o comando de Jaques Wagner, que tem sido alvo de críticas internas por não ter detectado o tamanho da resistência a Messias antes da votação fatídica.
Ao defender que o Nordeste e o país como um todo seriam beneficiados com a presença de Messias no STF, Rafael Fonteles tenta transformar o que foi lido como uma derrota pessoal em um novo pleito institucional. O argumento é de que Jorge Messias preenche todos os requisitos constitucionais e que sua “serenidade e competência” são ativos que o governo deve lutar para preservar na estrutura do Judiciário. Agora, a bola volta para o campo do presidente Lula, que precisa decidir se aceita o conselho de seus aliados mais leais para um novo embate ou se buscará um caminho de menor atrito com o Congresso Nacional.