Um levantamento realizado pelo Observatório do Crédito e Seguro Rural (OCSR), ligado ao Fundação Getulio Vargas (FGV Agro), analisou os modelos de seguro rural adotados em diferentes partes do mundo e concluiu que a ferramenta se torna mais eficiente quando tratada como uma política pública permanente e estruturada.
O estudo avaliou experiências de sete países — Argentina, Chile, Espanha, Estados Unidos, Índia, México e Peru — identificando diferentes estratégias para proteger produtores rurais contra perdas provocadas por eventos climáticos, pragas, doenças e outras adversidades que impactam a produção agrícola.
Segundo os pesquisadores, apesar das diferenças entre os modelos analisados, todos os países reconhecem o seguro rural como uma ferramenta essencial para garantir estabilidade econômica ao setor agropecuário e reduzir os riscos enfrentados pelos produtores.
Seguro rural ganha importância diante das mudanças climáticas
O estudo destaca que a relevância do seguro rural tem aumentado em todo o mundo em razão da intensificação dos eventos climáticos extremos, como secas prolongadas, enchentes, geadas e tempestades severas.
Esses fenômenos podem provocar perdas significativas na produção agrícola, afetando não apenas a renda dos produtores, mas também a oferta de alimentos, os preços ao consumidor e a segurança alimentar.
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Nesse contexto, os países que conseguiram ampliar a cobertura do seguro rural geralmente contam com forte participação governamental, seja por meio de subsídios, garantias financeiras ou estruturas regulatórias bem definidas.
Desafio brasileiro
Para os especialistas da FGV Agro, o Brasil ainda enfrenta desafios para consolidar um sistema robusto de proteção ao produtor rural.
O estudo aponta a necessidade de construir um marco institucional mais claro para o setor e assegurar recursos orçamentários estáveis que permitam a expansão do seguro rural em todo o território nacional.
Atualmente, um dos principais instrumentos de incentivo é o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), que ajuda produtores a custear parte do valor das apólices contratadas junto às seguradoras.
No entanto, os pesquisadores alertam que oscilações nos repasses e incertezas orçamentárias dificultam o planejamento de longo prazo e reduzem a confiança do mercado.
Previsibilidade é fator-chave
De acordo com o levantamento, a previsibilidade dos recursos públicos é um dos fatores mais importantes para o sucesso dos programas de seguro rural.
Nos países analisados, os sistemas mais consolidados contam com mecanismos permanentes de financiamento e regras claras para a participação do governo, das seguradoras e dos produtores.
Essa estabilidade contribui para ampliar a cobertura, reduzir custos e aumentar a adesão dos agricultores, criando um ambiente mais seguro para investimentos no campo.
Proteção estratégica para o agronegócio
O agronegócio representa uma das principais forças da economia brasileira e responde por parcela significativa das exportações e da geração de empregos no país.
Especialistas avaliam que ampliar a cobertura do seguro rural pode ser uma estratégia fundamental para fortalecer a resiliência do setor diante das mudanças climáticas e das oscilações de mercado.
Além de proteger a renda dos produtores, a ferramenta também contribui para reduzir riscos no crédito rural, estimular investimentos e garantir maior estabilidade à produção agropecuária nacional.