Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) identificou que o atropelamento de animais silvestres nas rodovias não está relacionado apenas à proximidade de áreas de floresta.
A pesquisa analisou sete anos de registros de atropelamentos na Rodovia Dom Pedro I, em São Paulo, e apontou que áreas de pastagem e terrenos utilizados para agricultura também estão associadas a uma maior ocorrência de acidentes envolvendo mamíferos de médio e grande porte.
Ao todo, foram registradas mais de 24 espécies, entre elas tamanduá-bandeira, jaguatirica, lobo-guará e onça-parda. A capivara foi responsável por aproximadamente 60% dos registros analisados.
Segundo os pesquisadores, espécies mais generalistas, como gambás, capivaras, lebres-europeias e cachorros-do-mato, conseguem utilizar diferentes tipos de ambientes. Esses animais circulam por florestas, plantações, pastagens e áreas modificadas pela atividade humana, o que aumenta a possibilidade de atravessarem rodovias mesmo em locais distantes de grandes áreas de vegetação nativa.
Os resultados indicam que medidas para reduzir os atropelamentos, como a instalação de passagens de fauna e cercas de direcionamento, não devem considerar somente áreas florestais ou os locais que já registraram grande número de acidentes.
O uso da terra no entorno das rodovias também deve ser levado em conta. Isso porque os chamados pontos críticos de atropelamento, conhecidos como “hot spots”, podem mudar ao longo do tempo conforme ocorrem alterações nas áreas agrícolas, pastagens, novos empreendimentos e mudanças nas rotas utilizadas pelos animais.
Além das mortes provocadas diretamente pelos veículos, as rodovias também contribuem para a fragmentação dos habitats, dificultando o deslocamento dos animais em busca de alimento, parceiros para reprodução e novos territórios.
Para os pesquisadores, o planejamento de estradas mais seguras para a fauna precisa considerar não apenas a rodovia, mas toda a paisagem ao seu redor.