Uma combinação de três terapias conseguiu eliminar sinais persistentes de infecção pelo HIV em primatas quando o tratamento foi iniciado logo após o nascimento. O resultado foi apresentado em um estudo publicado nesta segunda-feira (10) na revista Nature Microbiology.
A pesquisa indica que o início muito precoce do tratamento pode dificultar que o vírus estabeleça reservatórios no organismo, levantando uma possibilidade para futuras estratégias de combate à infecção.
Os pesquisadores testaram uma combinação de medicamentos antirretrovirais, anticorpos neutralizantes e o leronlimab, um medicamento experimental. As três abordagens já haviam sido estudadas separadamente, mas não tinham conseguido eliminar o vírus de forma definitiva.
No experimento, os tratamentos foram administrados nas primeiras 72 horas de vida e utilizados durante algumas semanas. Os animais tratados não apresentaram sinais persistentes da infecção após o período de acompanhamento, resultado que chamou a atenção dos pesquisadores.
Cada componente da combinação atua de uma maneira diferente. Os antirretrovirais reduzem a multiplicação do vírus, enquanto os anticorpos neutralizantes ajudam a controlar o HIV presente no organismo. Já o leronlimab bloqueia a proteína CCR5, utilizada pelo vírus para entrar em determinadas células do sistema imunológico.
Segundo os cientistas, o momento em que o tratamento é iniciado pode ser fundamental. Nos primeiros dias após a infecção, o HIV ainda pode não ter estabelecido reservatórios virais estáveis em diferentes tecidos, o que potencialmente aumenta a possibilidade de impedir que a infecção se consolide.
A equipe agora pretende investigar por quanto tempo após a exposição essa estratégia poderia apresentar resultados semelhantes, incluindo situações em que o tratamento seja iniciado uma ou duas semanas depois.
Apesar dos resultados promissores, o estudo foi realizado em primatas e não significa que uma cura para o HIV já esteja disponível para pessoas. Novas pesquisas serão necessárias para avaliar a segurança e a eficácia da abordagem em humanos.