Uma revisão de nove estudos apresentada no Congresso Internacional sobre Obesidade, realizado entre os dias 15 e 17 de julho, na Cidade do México, indica que as chamadas canetas emagrecedoras são seguras e eficazes para o tratamento da obesidade em crianças e adolescentes. A pesquisa reuniu evidências de estudos conduzidos nos Estados Unidos, Alemanha, Suécia e Áustria até maio de 2025.
O levantamento, realizado por pesquisadores da University of Western Ontario, no Canadá, analisou dados de 756 participantes com idades entre 6 e 18 anos. A maioria dos voluntários, porém, tinha entre 14 e 15 anos. Atualmente, medicamentos dessa classe são aprovados para uso em adolescentes a partir dos 12 anos em determinadas indicações médicas.
Os estudos avaliaram medicamentos à base de liraglutida (Saxenda), semaglutida (Ozempic e Wegovy) e exenatida. Em média, os participantes perderam mais de cinco quilos durante o tratamento, sendo que os melhores resultados foram observados entre aqueles que utilizaram a semaglutida.
Além da redução do peso corporal, os pesquisadores identificaram benefícios adicionais para a saúde cardiovascular. Houve uma diminuição média de 2,24 mmHg na pressão arterial sistólica e redução de 2,83 batimentos por minuto na frequência cardíaca dos participantes.
Segundo a pesquisadora Manpreet Kaur Oberoi, autora da revisão, os agonistas do receptor de GLP-1 demonstraram eficácia significativa na redução do índice de massa corporal (IMC), do peso, da pressão arterial e da frequência cardíaca em crianças e adolescentes com obesidade, sem diabetes. O estudo também observou melhora na qualidade de vida dos participantes, mantendo um perfil de segurança considerado administrável.
Apesar dos resultados promissores, especialistas ressaltam que esses medicamentos não substituem mudanças no estilo de vida. O tratamento da obesidade infantil deve incluir acompanhamento médico, alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e suporte multiprofissional, sendo o uso das canetas indicado apenas após avaliação clínica individualizada.
Os pesquisadores defendem que novos estudos de longo prazo sejam realizados para acompanhar a eficácia e a segurança desses medicamentos ao longo dos anos, especialmente durante as fases de crescimento e desenvolvimento dos adolescentes.