CentroesteNews
08/09/2025
De acordo com informações da Agência Senado, a CPMI do INSS ouviu nesta segunda-feira (08/09), o ex-ministro da Previdência Social Carlos Lupi, como convidado. O ex-ministro deixou o cargo em maio após a deflagração da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal e da CGU. A investigação apura um esquema bilionário de descontos indevidos em benefícios previdenciários, que teria causado prejuízo de cerca de R$6,3 bilhões entre 2019 e 2024.
Durante o depoimento, Lupi reafirmou sua inocência e disse sentir “a dor da injustiça” ao ser colocado no centro das discussões sobre as fraudes. Ele negou qualquer participação ou conivência:
“Acobertar desvios? Nunca na minha vida. Sempre agi com honestidade e profundo amor ao povo brasileiro.”
Além de negar o envolvimento, Carlos Lupi relatou que desde março de 2023 começou a receber denúncias sobre irregularidades em associações de aposentados e pensionistas. Após a recepção das informações, ele teria encaminhado todas as denúncias à presidência do INSS. A propósito, exatamente por causa das denúncias, teria havido uma reunião entre o Instituto e a PF exatamente para discutir o assunto, em maio de 2023.
Diante das afirmações de Carlos Lupi, a comissão questionou a ausência de medidas efetivas de bloqueio aos descontos, uma vez que já haveria indícios. Para isso, sua resposta foi a limitação legal institucional que o teria impedido de fazê-lo, embora fosse autoridade na organização à época.
A nomeação de cargos de confiança no órgão também foi um ponto de abordagem da comissão. Especialmente pela ligação de pessoas nomeadas com o “Careca do INSS”, cujo nome se mostra envolvido no escândalo. Porém, Lupi reafirma que as nomeações feitas por ele no INSS seguiram o rito comum e que nada tiveram a ver com interesses que não os íntegros.
Carlos Lupi não é alvo de inquéritos ou denúncias. Desse modo, sua participação na CPMI se deu voluntariamente, como convidado colaborador. Entretanto, sua atuação – ou omissão -, se torna um assunto interessante em toda a questão. Afinal, se houve denúncias, ações mais enfáticas, práticas e eficientes poderiam ter sido tomadas bem antes.
A comissão presidida pelo senador Carlos Viana foi incisiva e firme, a fim de se fazer entender a razão de não ter havido uma ação prática da própria instituição antes mesmo da intervenção da Polícia Federal. Além de Carlos Lupi, outros nomes importantes devem ser ouvidos nos próximos dias.
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