O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), nomeou o ex-agente da Polícia Federal Newton Hidenori Ishii, conhecido nacionalmente como “Japonês da Federal”, para ocupar um cargo comissionado de secretário adjunto na administração municipal. A nomeação passou a valer na segunda-feira e gerou repercussão por causa do histórico judicial do ex-servidor.
Ishii ganhou notoriedade durante a Operação Lava Jato, quando atuava na escolta de presos envolvidos nas investigações que revelaram esquemas de corrupção em empresas públicas e privadas. Sua imagem tornou-se símbolo da operação, aparecendo frequentemente ao conduzir políticos, empresários e operadores financeiros detidos pela Polícia Federal.
Mais Lidas
-
PT oficializa chapa de Haddad ao governo de São Paulo com Lula, Alckmin e críticas a Milei e à direita
-
Atraso na pavimentação gera transtornos a moradores do bairro Parque São Francisco, em Mirassol d'Oeste
-
PL oficializa Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência em convenção que reuniu vídeo do pai por IA, apoio de Michelle e discurso de Milei
Apesar da visibilidade conquistada naquele período, o ex-agente possui uma condenação definitiva na Justiça. Ele foi condenado pelo crime de facilitação de contrabando na fronteira brasileira. O processo chegou às instâncias superiores e teve recurso negado pelo Superior Tribunal de Justiça, o que resultou no trânsito em julgado da sentença — ou seja, sem possibilidade de novos recursos.
Condenação e prisão
O caso que levou à condenação de Ishii está ligado à chamada Operação Sucuri, investigação que revelou o envolvimento de agentes públicos em esquemas de facilitação da entrada de mercadorias contrabandeadas no país.
Em junho de 2016, ele chegou a ser preso para cumprimento de pena no regime semiaberto. Na época, devido à falta de vagas no sistema prisional adequado para esse regime, Ishii passou a utilizar tornozeleira eletrônica para monitoramento.
Entre na comunidade de WhatsApp do Centroeste News e receba notícias em tempo real
Mesmo durante esse período, ele chegou a continuar realizando atividades internas e escoltas de presos enquanto cumpria a pena em regime semiaberto harmonizado. Meses depois, a pena foi reduzida e o equipamento eletrônico retirado.
Aposentadoria e vida pública
Newton Hidenori Ishii ingressou na Polícia Federal em 1976 e construiu uma longa carreira dentro da instituição. Após os episódios judiciais e o cumprimento da pena, ele teve o pedido de aposentadoria especial voluntária concedido em 2018.
Antes mesmo de sua prisão, Ishii chegou a cogitar uma carreira política. Em 2016, durante visita à Câmara dos Deputados, foi abordado por parlamentares, entre eles Jair Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro, o que alimentou especulações sobre uma possível entrada na vida pública. Os planos, no entanto, foram interrompidos após a repercussão negativa de sua prisão meses depois.
Nomeação na gestão municipal
Agora, quase uma década após o episódio judicial, Ishii retorna à administração pública em nível municipal. Segundo a prefeitura, ele foi convidado para colaborar na capacitação de servidores e no fortalecimento de práticas administrativas.
Em nota, o prefeito Abílio Brunini afirmou que o ex-agente “tem experiência e capacidade para contribuir com a gestão pública”, destacando sua trajetória no serviço federal.
A nomeação, entretanto, provocou debate político e críticas nas redes sociais, especialmente por envolver um ex-servidor condenado por crime relacionado à função pública.
Especialistas apontam que, do ponto de vista legal, a nomeação é possível caso não haja impedimento específico em legislação municipal ou restrição prevista na Lei da Ficha Limpa — que se aplica principalmente a cargos eletivos, não necessariamente a funções comissionadas.