Em meio à mais grave crise energética enfrentada por Cuba nas últimas décadas, o país acelera uma ampla transformação em sua matriz elétrica com apoio da China. Em aproximadamente um ano, dezenas de usinas solares começaram a ser construídas em diferentes regiões da ilha, em um programa que poderá alcançar cerca de 90 parques fotovoltaicos, representando um dos maiores investimentos em energia renovável da história cubana.
Levantamentos apontam que aproximadamente 75 projetos já registram avanço significativo nas obras, evidenciando a rapidez da cooperação sino-cubana e colocando o país no centro de uma mudança energética sem precedentes no Caribe.
Mais Lidas
Crise elétrica afetou milhões de cubanos
A expansão da energia solar ocorre em resposta a uma severa crise no sistema elétrico nacional. Nos últimos anos, Cuba enfrentou dificuldades para importar combustíveis devido às restrições financeiras, à redução do fornecimento de petróleo e ao envelhecimento de seu parque termoelétrico.
Como consequência, milhões de cubanos passaram a conviver com apagões frequentes. Em alguns períodos, as interrupções no fornecimento de energia ultrapassaram 20 horas por dia, comprometendo o funcionamento de hospitais, escolas, comércios, indústrias e outros serviços essenciais.
Entre na comunidade de WhatsApp do Centroeste News e receba notícias em tempo real
A instabilidade elétrica também impactou a economia do país, dificultando atividades produtivas e agravando problemas já enfrentados pela população.
Energia solar começa a aliviar pressão sobre a rede
Com parte das novas usinas já em operação, os primeiros resultados começam a ser percebidos no sistema elétrico cubano.
A geração de energia durante o período diurno reduz a demanda sobre as antigas usinas termelétricas movidas a combustíveis fósseis, diminuindo a necessidade de importação de diesel e petróleo para geração de eletricidade.
Embora a energia solar não elimine completamente os problemas do sistema, especialistas avaliam que ela contribui para aumentar a estabilidade da rede elétrica e reduzir a frequência e a duração dos apagões, especialmente durante o dia.
Cooperação fortalece presença chinesa no Caribe
Além do impacto energético, o programa possui forte relevância geopolítica.
Ao financiar e apoiar a construção da infraestrutura elétrica cubana, a China amplia sua presença econômica e estratégica no Caribe, fortalecendo sua relação com um dos principais aliados da região.
Nos últimos anos, Pequim tem expandido investimentos em infraestrutura, telecomunicações, transportes e energia em diversos países da América Latina e do Caribe, consolidando sua influência em áreas tradicionalmente acompanhadas de perto pelos Estados Unidos.
Caminho para uma matriz mais sustentável
A expansão das usinas solares também representa um passo importante na diversificação da matriz energética cubana.
Historicamente dependente de combustíveis fósseis importados, Cuba busca ampliar a participação das fontes renováveis para reduzir custos, aumentar a segurança energética e diminuir sua vulnerabilidade às oscilações do mercado internacional de petróleo.
Caso os projetos previstos sejam concluídos, o país poderá elevar significativamente a participação da energia solar na geração elétrica, criando uma base mais sustentável para atender à demanda nos próximos anos e reduzindo gradualmente sua dependência das termelétricas.