CentroesteNews
22/10/2025
Um relatório divulgado nesta terça-feira (21) pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) acendeu um alerta global: o Brasil é responsável por mais de 70% da perda líquida de florestas no planeta, o que representa 2,94 milhões de hectares devastados por ano entre 2015 e 2025.
Apesar de avanços recentes, o ritmo do desmatamento ainda é considerado alarmante. Segundo a FAO, a “Avaliação dos Recursos Florestais Mundiais” mostra que, mesmo com a redução da velocidade da destruição em relação às décadas anteriores, o planeta ainda perde cerca de 10,9 milhões de hectares de florestas a cada ano o equivalente a mais de 12 km² por hora.
O estudo aponta que a maior parte do desmatamento ocorre nas regiões tropicais, responsáveis por 88% da devastação mundial, com destaque para a Amazônia, onde a expansão agropecuária e os incêndios florestais continuam sendo as principais causas da perda de vegetação nativa.
A FAO observa que, embora o Brasil tenha conseguido reduzir em quase 50% o ritmo da perda líquida em comparação com a década de 1990, a pressão sobre os ecossistemas amazônicos ainda é intensa. O país, que abriga 12% das florestas do planeta, continua sendo o epicentro da devastação florestal global.
De acordo com dados do Global Forest Watch, a destruição das florestas tropicais virgens atingiu em 2024 o maior nível desde 2002, impulsionada por queimadas e mudanças no uso do solo. Em 2023, no entanto, a Amazônia apresentou sinais de recuperação, atribuídos às políticas de controle e fiscalização ambiental retomadas no governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
A discussão sobre o desmatamento e o papel do Brasil na preservação ambiental deve ganhar ainda mais destaque em novembro, quando o país sediará, em Belém (PA), a Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP30). Um dos temas centrais será o lançamento da Facilidade de Financiamento das Florestas Tropicais (TFFF) um fundo internacional voltado a apoiar financeiramente ações de conservação e proteção das florestas tropicais.
Segundo o diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, as florestas são “essenciais para a regulação dos ciclos globais de carbono e água, abrigo da biodiversidade e prevenção de secas, erosão e inundações”. O relatório destaca que as florestas cobrem atualmente 4,14 bilhões de hectares, o que corresponde a 32% da superfície terrestre, sendo que Rússia, Brasil, Canadá, Estados Unidos e China concentram mais da metade dessa área.