CentroesteNews
22/09/2025
O Brasil registrou em 2024 o menor número já contabilizado de crianças e adolescentes submetidos às chamadas Piores Formas de Trabalho Infantil (Lista TIP). Segundo dados divulgados pelo IBGE, são 560 mil jovens de 5 a 17 anos nessa condição — o que representa apenas 1,5% dos 37,9 milhões de brasileiros nessa faixa etária.
O resultado simboliza uma queda de 39% em relação a 2016, quando o país tinha 919 mil crianças e adolescentes em ocupações consideradas de alto risco. Na comparação com 2023 (590 mil), houve recuo adicional de 5%.
A Lista TIP, regulamentada pelo Decreto 6.481/2008 e pela Convenção 182 da OIT, reúne atividades proibidas a menores de idade por exporem riscos severos, como mutilações, intoxicações, fraturas e até morte. Entre elas, estão funções em serralherias, matadouros, manguezais, mineração e coleta de lixo.
Panorama histórico (2016–2024)
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2016: 919 mil
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2017: 762 mil
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2018: 763 mil
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2019: 707 mil
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2020–2021: sem pesquisa (pandemia)
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2022: 763 mil
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2023: 590 mil
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2024: 560 mil
Quem ainda está na Lista TIP?
O levantamento mostra que a maior parte dos jovens submetidos às atividades de risco tem 16 e 17 anos (60%). Já as crianças de 5 a 13 anos representam 12% e as de 14 e 15 anos, 28%.
O estudo também expõe desigualdades:
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Cor/raça: Pretos e pardos são 59,7% da população de 5 a 17 anos, mas correspondem a 67,1% da Lista TIP.
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Sexo: Meninos são maioria — 74,4% do total.
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Renda: A remuneração média em atividades da Lista TIP foi de R$ 789 em 2024, inferior aos R$ 1.083 recebidos por jovens em trabalhos permitidos pela legislação.
Trabalho infantil no Brasil
No geral, o IBGE estima que 1,65 milhão de brasileiros de 5 a 17 anos estavam em situação de trabalho infantil em 2024.
Entre os adolescentes de 16 e 17 anos, grupo em que a lei permite atividades formais, a pesquisa revela melhora: a taxa de informalidade caiu para 69,4%, a menor já registrada na série histórica. Em 2022, essa proporção havia atingido 76,3%, o maior índice já apurado.
Segundo o analista do IBGE, Gustavo Geaquinto Fontes, a queda é reflexo de maior fiscalização governamental, atuação do Ministério Público do Trabalho e campanhas de conscientização.
“Além de estarem em atividades que representam maiores riscos, esses jovens também tinham rendimentos menores. A queda observada é um avanço importante, mas o desafio permanece, principalmente no combate às desigualdades raciais e de gênero”, destacou Fontes.
Desafios e próximos passos
Apesar do avanço, especialistas alertam que ainda é preciso:
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Fortalecer a fiscalização no campo e em áreas urbanas periféricas, onde há maior incidência de trabalho infantil oculto.
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Ampliar políticas de transferência de renda e programas de aprendizagem para jovens de baixa renda.
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Estimular campanhas educativas que envolvam famílias, escolas e comunidades.