CentroesteNews
09/12/2025
Em Mogi-Guaçu, no interior de São Paulo, a rotina da Granja São Marcos mudou de forma silenciosa, mas profunda. O que antes dependia de planilhas, anotações manuais e inspeções constantes, hoje passa pelo olhar atento da inteligência artificial. Com a adoção de um sistema desenvolvido pela empresa de tecnologia ALLTIS, a produção diária de cerca de 140 mil ovos passou a ser acompanhada em tempo real, trazendo mais segurança, precisão e agilidade para cada etapa da operação.
Fundada pela família Teixeira nos anos 1980, a granja evoluiu ao longo das décadas. De fornecedora de frangos vivos, tornou-se referência na produção de ovos orgânicos e caipiras, comercializados com a marca Naturegg e distribuídos para vários estados brasileiros. Hoje, com aproximadamente 170 mil aves em postura, o negócio enfrentava um desafio comum a muitas propriedades: lidar com um volume crescente de dados e atender às exigências de certificação, rastreabilidade e bem-estar animal.
A entrada da tecnologia mudou esse cenário. Sensores conectados a sistemas inteligentes passaram a monitorar temperatura, umidade, consumo de água, ração, volume de grãos nos silos e até a contagem automática dos ovos, com precisão próxima do total. Informações que antes demoravam horas ou dias para serem consolidadas agora chegam diretamente ao celular dos gestores, permitindo decisões rápidas e prevenindo falhas antes que se tornem prejuízos.
Segundo Matheus Teixeira, diretor comercial da marca, o maior ganho foi transformar dados em ação prática. Ele relata que, antes, era impossível manter o mesmo nível de controle apenas com processos tradicionais. Hoje, a equipe consegue agir de forma preventiva, reduzindo riscos sanitários, desperdícios e melhorando o bem-estar das aves, o que reflete diretamente na qualidade do produto que chega ao consumidor.
A parceria tecnológica ganhou ainda mais força com o apoio da MCassab Nutrição e Saúde Animal, empresa do Grupo MCassab, que passou a atuar como acionista da startup responsável pelas soluções. Para André Aquino, executivo da ALLTIS, o objetivo é simples e ao mesmo tempo transformador: converter números em informações úteis para o produtor rural, respeitando a realidade de cada propriedade e tornando a tecnologia acessível ao dia a dia do campo.
O impacto também é sentido na rotina dos colaboradores. Atividades que antes ofereciam riscos, como a verificação manual de estoques nos silos, foram substituídas por alertas automáticos e previsões de consumo feitas pelo celular. O resultado não é apenas ganho de produtividade, mas mais segurança para quem trabalha todos os dias dentro da granja.
Nos próximos meses, a expectativa é avançar ainda mais, com sistemas capazes de identificar o tamanho e a coloração dos ovos automaticamente, reduzindo falhas humanas e oferecendo um nível de detalhe inédito para ajustes de manejo. Para a equipe da São Marcos, a mensagem é clara: a tecnologia deixou de ser um luxo e passou a ser uma necessidade para quem quer continuar competitivo.
A experiência vivida em Mogi-Guaçu mostra que o futuro da avicultura já está em curso. Entre sensores, dados e decisões mais rápidas, a granja prova que inovar no campo não significa abandonar a tradição, mas sim torná-la mais forte e preparada para os desafios que vêm pela frente.




