Uma extensa área do centro-norte da Amazônia está enfrentando um aumento expressivo das temperaturas durante a estação seca. Um novo estudo, que reuniu 53 pesquisadores brasileiros e estrangeiros, identificou uma elevação de pelo menos 3,2 °C nas temperaturas máximas da região desde 1981.
Os resultados foram publicados nesta quinta-feira (10), na revista científica Communications Earth & Environment, e chamam atenção porque a área analisada está entre as regiões de floresta mais afastadas do chamado arco do desmatamento.
Com mais de 700 mil quilômetros quadrados, o centro-norte da Amazônia apresentou um aumento mínimo de 0,75 °C por década nas temperaturas durante o período seco. O ritmo é consideravelmente superior ao crescimento de cerca de 0,2 °C por década observado na temperatura média anual de toda a Amazônia.
A pesquisa também mostra que o aquecimento da floresta não acontece de maneira uniforme. Enquanto o sul da Amazônia apresenta um aumento acelerado das temperaturas médias, o centro-norte vem registrando avanço mais rápido de eventos de calor extremo e do déficit hídrico.
Para chegar aos resultados, os cientistas dividiram a Amazônia em diferentes áreas e analisaram dados de alta resolução sobre temperatura e precipitação, obtidos por satélites e estações meteorológicas. A metodologia permitiu identificar os períodos secos específicos de cada região e observar como o comportamento do clima mudou ao longo das últimas décadas.
Os pesquisadores destacam ainda que o aumento do calor não pode ser explicado apenas pela perda de cobertura florestal. As mudanças climáticas globais também exercem influência importante sobre o cenário. Fenômenos como o El Niño podem agravar ainda mais as condições de calor e seca, aumentando a preocupação com a resistência da floresta diante de eventos climáticos extremos.