Os eventos climáticos extremos atingiram 301 das 360 regiões turísticas catalogadas pelo Mapa do Turismo Brasileiro entre 2020 e 2025. O número representa 83,6% dos destinos mapeados pelo Ministério do Turismo e evidencia os desafios enfrentados pelo setor diante do avanço das mudanças climáticas no país.
Os dados fazem parte do estudo Eventos climáticos extremos no turismo brasileiro: o confronto entre os impactos e as (re)ações, desenvolvido por pesquisadores do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília (UnB).
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“A Assembleia confia na Polícia Federal, no Ministério Público e na imprensa”. A declaração é do presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado Max Russi (Podemos), ao defender o aprofundamento das investigações da Operação Tomada de Contas, deflagrada pela Polícia Federal em 29 de outubro, que resultou na prisão do presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Sérgio Ricardo. Durante coletiva de imprensa realizada na manhã desta quarta-feira (4), o parlamentar classificou a situação como muito ruim e destacou a importância da atuação dos órgãos responsáveis, além do acompanhamento da imprensa, para o esclarecimento dos fatos e a responsabilização dos envolvidos, caso sejam comprovadas irregularidades. “Eu acredito que isso vai ser muito bem apurado, a sociedade vai acompanhar de perto e a Assembleia Legislativa também. Vamos confiar nesses órgãos e aquilo que for papel da ALMT, nós vamos tomar todas as providências, eu falo em nome do parlamento estadual e tenho certeza que podemos contar com todos os deputados”, afirmou Max. O presidente reforçou ainda que a Assembleia acompanhará os desdobramentos da operação e adotará as medidas que estiverem dentro de suas atribuições, conforme o avanço das investigações. A intenção, segundo o parlamentar, é contribuir para que os fatos sejam esclarecidos e eventuais responsabilidades sejam devidamente apuradas. A Operação A Operação Tomada de Contas foi deflagrada em 29 de outubro pela Polícia Federal (PF), com autorização do Superior Tribunal de Justiça (STJ), para investigar um suposto esquema de fraudes em contratos, lavagem de dinheiro e organização criminosa no Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT). Foram cumpridos mandados de prisão preventiva contra o presidente do TCE, Sérgio Ricardo de Almeida, além de outros investigados, entre eles o consultor jurídico-geral Grhegory Paiva Pires, Roseli Loss, Adriangelo Barros Antunes, Gustavo Fernandes da Silva e Felipe José Glinke.
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A pesquisa aponta que o turismo nacional está cada vez mais exposto a fenômenos como enchentes, secas, ondas de calor e tempestades. Para os pesquisadores, o aumento da frequência desses acontecimentos não tem sido acompanhado por medidas suficientes de prevenção, planejamento e adaptação.
Uma das autoras do levantamento, a pesquisadora Jaqueline Gil, avalia que os números demonstram a vulnerabilidade climática dos destinos brasileiros. Segundo ela, é necessário abandonar a ideia de que esses episódios são situações excepcionais e reconhecer que o planejamento turístico precisa considerar os riscos ambientais de forma permanente.
O estudo foi elaborado a partir do cruzamento de informações do Mapa do Turismo Brasileiro com o Banco de Dados de Eventos de Emergência do Centro de Pesquisa em Epidemiologia de Desastres, que reúne registros entre 1990 e 2025. Os pesquisadores também analisaram atas do Conselho Nacional de Turismo e documentos relacionados às políticas públicas brasileiras.
Turismo cresce enquanto aumentam os riscos climáticos
Um dos pontos destacados pela pesquisa é o contraste entre a expansão do turismo e a falta de políticas estruturadas para enfrentar os impactos ambientais. Enquanto os destinos brasileiros recebem cada vez mais visitantes, os fenômenos climáticos extremos apresentam uma tendência de crescimento nas últimas quatro décadas.
Em 2025, o Brasil recebeu aproximadamente 9 milhões de turistas internacionais, estabelecendo um novo recorde. O resultado representa uma expansão importante em relação aos anos anteriores e reforça a necessidade de preparar a infraestrutura turística para condições climáticas cada vez mais desafiadoras.
A preocupação também é compartilhada por representantes do setor. A vice-presidente da Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (Abeta), Fernanda Dornelles, afirma que operadores turísticos já sentem os efeitos das mudanças climáticas e precisam adaptar suas atividades conforme as condições de cada região.
Para ela, entretanto, iniciativas individuais não são suficientes. É necessário integrar empresas, governos e comunidades locais em estratégias de prevenção, conservação ambiental e desenvolvimento sustentável.
A representante também destaca que a adaptação precisa envolver todo o ecossistema turístico, incluindo a gestão dos territórios, a proteção dos ambientes naturais e as comunidades que dependem economicamente das atividades de visitação.
Planejamento e preservação dos destinos
Os impactos climáticos podem comprometer diretamente a infraestrutura turística, dificultar o acesso a determinados destinos, provocar cancelamentos de viagens e afetar atividades econômicas que dependem das condições ambientais.
Em regiões que dependem de praias, rios, cachoeiras, florestas e áreas de preservação, alterações no clima também podem modificar paisagens e comprometer experiências oferecidas aos visitantes.
Diante desse cenário, os pesquisadores defendem que a adaptação climática seja incorporada às políticas de desenvolvimento do turismo brasileiro. Entre as necessidades estão investimentos em infraestrutura resiliente, sistemas de monitoramento, prevenção de desastres e proteção dos ecossistemas.
A pesquisa reforça que o crescimento do setor precisa caminhar junto com a conservação ambiental. Mais do que enfrentar os prejuízos provocados pelos eventos extremos, o desafio será preparar os destinos para continuar recebendo visitantes sem comprometer os recursos naturais e as comunidades que dependem deles.