A meta brasileira de restaurar 163 mil quilômetros quadrados de terras degradadas até 2030 recebeu elogios de representantes das Nações Unidas e de organizações da sociedade civil, mas também trouxe um alerta: será necessário transformar o compromisso em ações concretas.
A proposta faz parte das metas de Neutralidade da Degradação da Terra (LDN), compromisso assumido por mais de 130 países integrantes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação.
Para especialistas, a dimensão da meta exige uma atuação conjunta entre preservação ambiental, recuperação de áreas degradadas e produção sustentável. Também é considerada fundamental a participação das comunidades que dependem diretamente dessas terras para alimentação, água e geração de renda.
O Brasil utiliza 2020 como ano de referência. Naquele período, o país identificava 55,7 milhões de hectares com tendência de degradação. Para cumprir o compromisso de neutralidade, a intenção é chegar a 2030 mantendo, no mínimo, a mesma quantidade de terras consideradas saudáveis e produtivas.
As ações previstas incluem recuperação de vegetação nativa, implantação de sistemas agroflorestais e iniciativas em unidades de conservação, territórios indígenas, áreas de preservação permanente e bacias hidrográficas.
Além da restauração, o país estabeleceu medidas de prevenção, conservação e manejo sustentável em outras áreas. Somadas, as ações previstas nas metas brasileiras de LDN alcançam aproximadamente 3,67 milhões de quilômetros quadrados.
Caatinga ganha destaque internacional
A Caatinga também esteve no centro das discussões durante a conferência da ONU realizada em Ulaanbaatar, na Mongólia.
O Consórcio Nordeste apresentou projetos voltados à recuperação do bioma e assinou um memorando de entendimento com a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação.
A parceria pode ampliar a cooperação técnica, facilitar o acesso a metodologias internacionais e aproximar o Nordeste de redes globais voltadas ao combate à desertificação e à recuperação de áreas secas.
Especialistas, porém, defendem que o Brasil precisa fortalecer sua estrutura administrativa e garantir recursos para que as metas não permaneçam apenas no papel. A fiscalização e o acompanhamento dos resultados ano a ano também são apontados como essenciais.
A expectativa é que a restauração das áreas degradadas ajude não apenas na preservação ambiental, mas também na segurança hídrica, na produção de alimentos e na adaptação às mudanças climáticas.