Uma estrada ilegal de 42,8 quilômetros, aberta em 2022 no coração de áreas protegidas da Amazônia, praticamente desapareceu sob a regeneração da floresta quatro anos depois.
A via ameaçava o Corredor Xingu de Diversidade Socioambiental, um amplo mosaico de terras indígenas e unidades de conservação que reúne cerca de 26 milhões de hectares entre Mato Grosso e Pará.
A estrada foi construída para facilitar o acesso ao chamado Garimpo da Jane, uma atividade de mineração ilegal instalada dentro da Estação Ecológica da Terra do Meio. Com a abertura do caminho, novas frentes de desmatamento começaram a avançar pela região.
Em determinado momento, apenas sete quilômetros de floresta intacta separavam duas áreas de ocupação, aumentando o risco de fragmentação de um dos principais corredores de biodiversidade da Amazônia.
Bloqueio interrompe avanço
A situação começou a mudar em 2023, após pressão de organizações da sociedade civil. Operações do ICMBio e do Ibama bloquearam o acesso à estrada e resultaram na instalação de uma base permanente de fiscalização às margens do rio Iriri.
Sem a circulação de pessoas e veículos, a floresta começou a ocupar novamente o antigo trajeto. Imagens recentes de satélite mostram a regeneração da vegetação ao longo da estrada, enquanto não foram identificadas novas atividades no garimpo que motivou sua abertura.
O caso chama atenção para a capacidade de recuperação da floresta quando a pressão humana é interrompida. Estudos citados na reportagem apontam que 95% do desmatamento na Amazônia ocorre a até 5,5 quilômetros de estradas, mostrando como essas vias podem facilitar a ocupação ilegal e a expansão do desmatamento.
Apesar da recuperação observada no local, organizações que atuam na região alertam que as áreas protegidas do Xingu continuam sob pressão de atividades como garimpo, exploração ilegal de madeira e invasões.
A regeneração da antiga estrada mostra que a floresta pode recuperar espaços degradados, mas também reforça a importância da fiscalização contínua para impedir que novas atividades ilegais voltem a avançar sobre áreas protegidas.