O Brasil não possui atualmente estoque de mercúrio de origem lícita suficiente para abastecer a atividade de mineração de ouro, segundo informações do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) à Repórter Brasil.
A conclusão foi obtida pelo órgão a partir do cruzamento de registros oficiais de entrada de mercúrio no país com dados de apreensões realizadas durante fiscalizações ambientais.
Segundo o Ibama, a comparação desses registros com os dados da produção de ouro indica uma incompatibilidade entre a quantidade de mercúrio legalmente adquirida e o volume necessário para manter a atividade aurífera que utiliza o metal.
A última importação legal identificada pelo órgão ocorreu em março de 2017, quando 1,8 tonelada de mercúrio entrou oficialmente no país.
Na época, a empresa responsável pela importação informou que o produto seria destinado à fabricação de amálgamas odontológicos e outros equipamentos utilizados na área da saúde. No entanto, durante uma fiscalização realizada em 2018, o Ibama constatou que o mercúrio estava sendo comercializado para garimpos.
Mesmo com a ausência de uma fonte legal de abastecimento identificada pelo órgão, fiscalizações ambientais continuam encontrando mercúrio em áreas de mineração de ouro.
O uso do metal preocupa as autoridades ambientais e de saúde devido aos riscos associados à contaminação de água, solo, animais e pessoas expostas ao produto, especialmente em regiões de garimpo.
Ouro movimenta bilhões
A dimensão da atividade de mineração de ouro ajuda a explicar a pressão sobre a cadeia de fornecimento do metal. Em 2025, o Brasil exportou 73,3 toneladas de ouro, movimentando US$ 6,58 bilhões, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
O World Gold Council, associação que reúne grandes empresas do setor de mineração, aponta o Brasil como o 13º maior produtor mundial de ouro em 2025.
Para o Ibama, a diferença entre o volume de mercúrio legalmente registrado e o encontrado nas áreas de mineração reforça a necessidade de investigar a origem do produto utilizado no garimpo.