Dois pesquisadores identificaram um fenômeno em que a interferência entre ondas que percorrem caminhos diferentes pode fazer com que o pico combinado chegue ao receptor antes do pico de uma onda isolada.
O estudo foi conduzido pelo acústico John L. Spiesberger, da Universidade da Pensilvânia, e pelo oceanógrafo Eugene Terray, da Instituição Oceanográfica de Woods Hole, e foi aceito para publicação na revista científica Physical Review E.
A pesquisa parte de estudos sobre a propagação do som debaixo d’água. Os pesquisadores analisaram sinais registrados por hidrofones para entender como ondas sonoras emitidas por baleias se propagam e como os animais podem ser localizados no oceano.
Em determinadas situações, o método de localização apresentava erros significativos. A explicação estava relacionada à proximidade da baleia com a superfície: parte do som seguia diretamente até o hidrofone, enquanto outra parte era refletida pela superfície da água.
Quando essas ondas percorrem trajetórias diferentes e depois interferem entre si, o pico resultante pode apresentar uma chegada aparentemente mais rápida. O efeito pode dar a impressão de que uma onda ultrapassou a velocidade da luz no vácuo.
Segundo os pesquisadores, porém, isso não significa que a informação esteja viajando mais rápido que a luz. A velocidade da informação continua limitada pela velocidade da luz no vácuo, portanto o fenômeno não viola a teoria da relatividade especial.
Os autores afirmam que o mesmo princípio matemático pode ser aplicado a outros tipos de ondas, incluindo ondas eletromagnéticas. A descoberta ajuda a explicar como a interferência pode alterar a posição aparente de um pico de onda sem permitir uma transmissão de informação acima do limite estabelecido pela física.