A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), desarticulou na última terça-feira (4) um grupo neonazista investigado por planejar atentados contra prédios públicos em Brasília.
A operação, batizada de Rede Interrompida, cumpriu oito mandados de busca e apreensão em cidades de cinco estados: Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul. Durante as ações, foram apreendidos dispositivos eletrônicos, materiais de propaganda nazista, armas e outros objetos que serão analisados pelos investigadores.
Segundo as autoridades, os integrantes se articulavam exclusivamente pela internet, principalmente por meio de grupos no Telegram. As investigações apontaram a existência de um grupo maior, com centenas de participantes, e de uma rede mais restrita formada por pessoas consideradas mais radicalizadas.
De acordo com a investigação, os integrantes discutiam a realização de ataques contra instituições e prédios públicos em Brasília. Entre os alvos mencionados estavam o Palácio do Planalto, o Supremo Tribunal Federal (STF) e o local onde seria realizado um debate do segundo turno das eleições.
As autoridades também identificaram conteúdos relacionados à fabricação de explosivos e outras manifestações de incentivo à violência. O material apreendido deverá ajudar a determinar até que ponto os planos haviam avançado.
Investigação pela internet
A apuração contou com a participação do Ciberlab, laboratório especializado em crimes cibernéticos ligado ao Ministério da Justiça. O trabalho envolveu o monitoramento das comunicações e a análise do conteúdo compartilhado pelos integrantes.
Segundo o Ministério da Justiça, o material investigado apresentava elevado grau de periculosidade, com manifestações de ideologia neonazista, racismo, misoginia, homofobia e incitação à violência.
O ministro Wellington César Lima e Silva afirmou que o conteúdo identificado não representava apenas manifestações consideradas extremistas, mas indicava a existência de planos para ações violentas.
Os investigadores também apontaram que os administradores das comunidades virtuais buscavam identificar participantes dispostos a transformar os discursos de ódio em ações concretas.
Próximos passos
Os investigados são homens com idades entre 19 e 31 anos e, segundo a investigação, não haviam se encontrado presencialmente. A articulação teria ocorrido integralmente no ambiente digital.
Nesta etapa da operação, não foram cumpridos mandados de prisão. A estratégia das autoridades foi concentrar as ações na coleta de provas e na análise dos equipamentos apreendidos.
Os computadores e celulares recolhidos serão periciados para identificar a estrutura do grupo, possíveis outros envolvidos e o estágio de preparação dos planos investigados.
Os suspeitos poderão responder por crimes relacionados à associação criminosa, apologia e distribuição de material nazista e incitação ao crime, conforme o avanço das investigações e a análise das provas.