Mais de uma década após sobrevoar Plutão, a sonda New Horizons, da Nasa, ajudou cientistas a identificar a primeira evidência de que um líquido pode ter fluído recentemente na superfície do planeta anão.
A descoberta surgiu a partir de uma nova análise das imagens registradas pela nave durante sua passagem por Plutão, em 2015. Segundo os pesquisadores, o nitrogênio líquido pode estar subindo por rachaduras de uma enorme geleira e alcançando a superfície.
O estudo foi publicado em 31 de julho no periódico The Planetary Science Journal.
A investigação se concentra na região norte de Sputnik Planitia, uma gigantesca área coberta por nitrogênio congelado que faz parte da conhecida formação em formato de coração de Plutão.
Durante o sobrevoo, a New Horizons registrou grandes estruturas no gelo da região, conhecidas como células de convecção. Algumas possuem dimensões comparáveis às de cidades e são formadas pelo movimento extremamente lento do gelo.
Ao reexaminar as imagens, os pesquisadores identificaram linhas finas e escuras e manchas espalhadas entre essas estruturas. O padrão chamou atenção porque apresenta características semelhantes a marcas observadas em geleiras terrestres quando o gelo é afetado por água ou por líquidos provenientes do subsolo.
Em Plutão, entretanto, as condições atmosféricas e as temperaturas extremamente baixas tornam improvável a formação de chuva de nitrogênio líquido. Por isso, uma das principais hipóteses é que o material esteja chegando à superfície vindo de baixo da geleira.
A descoberta pode ajudar os cientistas a compreender melhor os processos que acontecem na superfície de Plutão e a dinâmica do nitrogênio congelado que recobre parte do planeta anão.