O Rio de Janeiro amanheceu nesta quinta-feira (30) com a marca da destruição deixada pelo vendaval que atingiu a Região Metropolitana no fim da tarde anterior. Imagens aéreas do Globocop mostraram um cenário de caos: árvores de grande porte tombadas sobre vias, imóveis com telhados arrancados pela força do vento e até os cenários e camarins da Cidade do Rock — palco do Rock in Rio — completamente destruídos.
O balanço oficial da Prefeitura contabiliza mais de 200 árvores caídas pela cidade. Os bairros mais castigados foram Bangu, Campo Grande e Santa Cruz, na Zona Oeste; Anchieta, Catumbi e Tijuca, na Zona Norte; e Jacarepaguá e Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste. Em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, a ventania arrancou uma das caixas d’água de um prédio de aproximadamente 20 andares e destruiu uma praça inteira. Em Irajá, uma casa perdeu o telhado completamente.
A força dos ventos também comprometeu a infraestrutura da cidade. A estação Recanto das Garças, do corredor BRT Transoeste, teve parte da cobertura arrancada e permanece fechada. O fornecimento de energia elétrica segue afetado: até as 7h30 da manhã, cerca de 524 mil clientes — 370 mil da Light e 154 mil da Enel — continuavam sem luz em todo o estado.
O prefeito Eduardo Cavaliere afirmou que o episódio foi um evento extremo, relacionado ao Super El Niño, e que os ventos foram muito mais intensos do que o previsto pelas estações meteorológicas.
A Climatempo, no entanto, discordou da explicação: para os meteorologistas, não é possível afirmar que o El Niño foi o responsável direto pela ventania, embora o fenômeno aumente a frequência de eventos extremos como este. Enquanto a cidade se recupera, o Rio ainda conta os estragos e busca respostas.