A suspensão das compras de carne bovina brasileira pela China já começa a refletir nos resultados das exportações do setor. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) apontam desaceleração nos embarques durante o mês de julho, consequência da estratégia adotada pelos frigoríficos para evitar que as exportações ultrapassem a cota destinada ao mercado chinês e sejam submetidas à tarifa adicional de 55%.
Até a terceira semana de julho, o Brasil havia exportado 140,3 mil toneladas de carne bovina. Mantido o ritmo atual, o mês deverá ser encerrado com aproximadamente 248 mil toneladas embarcadas, volume 10,4% inferior às 276,8 mil toneladas registradas em julho de 2025.
Com o limite da cota voltada ao mercado chinês atingido, diversas indústrias reduziram o ritmo de produção, ajustaram as escalas de abate e, em alguns casos, concederam férias coletivas aos funcionários. A medida busca evitar que novos embarques sejam tributados pela tarifa adicional, o que reduziria significativamente a competitividade da carne brasileira.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) estima que as exportações brasileiras de carne bovina poderão registrar queda de cerca de 10% em 2026 na comparação com o ano anterior, tendo como principal fator a retração da demanda chinesa.
Apesar da redução no volume embarcado, o mercado registrou valorização dos preços. O preço médio da carne bovina exportada aumentou 15,01% em relação a julho de 2025, alcançando aproximadamente US$ 6.387,70 por tonelada. Com isso, a receita média diária das exportações apresentou crescimento de 3,3%, amenizando parte dos impactos provocados pela diminuição dos embarques.
O cenário reforça a forte dependência do setor brasileiro em relação ao mercado chinês, principal destino da carne bovina nacional nos últimos anos. Enquanto não há uma retomada das compras pela China ou a ampliação de novos mercados consumidores, a indústria frigorífica segue ajustando sua produção para equilibrar oferta, demanda e rentabilidade.