O Governo Federal lançou nesta terça-feira (30) o Plano Safra 2026/2027, principal programa de crédito rural do país, destinando R$ 525,1 bilhões para financiar a agricultura empresarial durante o próximo ano agrícola.
O volume de recursos representa um aumento de R$ 9 bilhões em relação ao Plano Safra 2025/2026, que disponibilizou R$ 516 bilhões para o setor. Somados aos cerca de R$ 85 bilhões destinados à agricultura familiar, o montante total supera R$ 610 bilhões em financiamentos para o agronegócio brasileiro.
Recursos serão divididos entre custeio e investimentos
Do total anunciado, R$ 384,9 bilhões serão destinados ao custeio da produção, incluindo despesas com aquisição de insumos, manutenção de lavouras e rebanhos, além da comercialização da produção agrícola.
Outros R$ 140,2 bilhões serão direcionados para investimentos em modernização das propriedades, ampliação da capacidade de armazenagem, irrigação, inovação tecnológica, renovação de máquinas e equipamentos e aumento da eficiência produtiva.
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Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, a medida busca fortalecer a competitividade do agronegócio brasileiro e ampliar a capacidade de produção do setor.
Juros menores para linhas estratégicas
Entre as novidades do Plano Safra está a redução das taxas máximas de juros em linhas consideradas estratégicas.
No Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), por exemplo, o crédito previsto chega a R$ 72,6 bilhões, com taxa máxima de 9% ao ano, abaixo dos 10% praticados anteriormente.
De acordo com o governo, a redução dos juros pretende ampliar o acesso ao crédito e estimular novos investimentos no campo.
Incentivo à produção sustentável
O novo Plano Safra também amplia os incentivos para produtores que adotarem práticas sustentáveis e mantiverem regularidade ambiental.
Produtores com o Cadastro Ambiental Rural (CAR) regular poderão obter desconto de até 0,5 ponto percentual na taxa de juros do custeio.
Outro desconto de até 0,5 ponto percentual será concedido àqueles que adotarem boas práticas agropecuárias, padrões de gestão ou certificações reconhecidas.
A iniciativa busca estimular a preservação ambiental aliada ao aumento da produtividade.
Gestão de riscos ganha reforço
O programa também fortalece os mecanismos de gestão de riscos no campo.
A possibilidade de renegociação de operações de custeio agrícola passa a estar vinculada à contratação de instrumentos de proteção, como o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) ou o seguro rural.
Segundo o governo, a medida pretende ampliar a segurança financeira dos produtores e reduzir os impactos provocados por perdas decorrentes de fatores climáticos ou outros eventos adversos.
Governo destaca crédito recorde
Durante a cerimônia de lançamento, realizada no Palácio do Planalto, o presidente em exercício, Geraldo Alckmin, afirmou que o programa atingiu o objetivo de ampliar os recursos destinados ao setor e, ao mesmo tempo, reduzir as taxas de juros.
Alckmin também destacou a importância do agronegócio para a economia brasileira e afirmou que a ampliação da infraestrutura logística para o escoamento da produção permanece entre as prioridades do governo.
O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, classificou o agronegócio como um dos pilares do desenvolvimento nacional e ressaltou que o Plano Safra continua sendo a principal política pública de crédito rural do país.
Já o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, destacou o esforço do governo para compatibilizar as necessidades do setor com o equilíbrio das contas públicas, lembrando que o agronegócio representa mais de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e cerca de metade das exportações nacionais.
Representando o setor produtivo, o diretor de Relações Corporativas da Inpasa, Guilherme Nolasco, afirmou que o Plano Safra fortalece toda a cadeia do agronegócio ao estimular investimentos, geração de empregos, inovação e desenvolvimento regional.