A presidente do México, Claudia Sheinbaum, respondeu nesta quinta-feira (18) às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e do vice-presidente JD Vance, que acusaram o governo mexicano de não agir com firmeza suficiente no combate ao narcotráfico e mencionaram a possibilidade de intensificar operações militares relacionadas ao tráfico de drogas.
Durante uma coletiva de imprensa, Sheinbaum afirmou que os Estados Unidos deveriam concentrar seus esforços dentro do próprio território e reforçar o combate ao tráfico de armas que abastece organizações criminosas no México.
“Seria muito bom se o fizessem em seu território; é muito importante que impeçam o tráfico de armas”, declarou a presidente.
México rejeita presença de tropas estrangeiras
A chefe do Executivo mexicano voltou a descartar qualquer possibilidade de autorizar a entrada de tropas norte-americanas em território mexicano para operações contra cartéis do narcotráfico.
Segundo Sheinbaum, o enfrentamento ao crime organizado deve ocorrer por meio da cooperação entre os dois países, sempre respeitando a soberania nacional.
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A posição reforça o entendimento defendido pelo governo mexicano desde o início das discussões sobre uma possível atuação militar dos Estados Unidos além de suas fronteiras.
Governo apresenta resultados no combate ao crime
Ao responder às críticas, Sheinbaum apresentou indicadores que, segundo o governo mexicano, demonstram avanços na área de segurança pública.
De acordo com a presidente, houve:
- redução de 46% nos homicídios;
- queda superior a 70% no fluxo de fentanil transportado por via terrestre para os Estados Unidos;
- assinatura de um memorando de entendimento entre autoridades mexicanas e norte-americanas para fortalecer a cooperação no combate ao narcotráfico.
Segundo a mandatária, esses resultados mostram que o México tem adotado medidas efetivas para enfrentar o crime organizado, sem abrir mão de sua autonomia.
Tensão diplomática continua
As declarações ocorrem em meio ao aumento das tensões entre os governos dos Estados Unidos e do México sobre estratégias de combate aos cartéis de drogas, especialmente em relação ao tráfico de fentanil, substância associada à crise de opioides enfrentada pelos norte-americanos.
Embora ambos os países mantenham acordos de cooperação em segurança, divergências sobre a atuação militar e o respeito à soberania mexicana continuam sendo um dos principais pontos de atrito na relação bilateral.