CentroesteNews
11/09/2025
A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), proferiu nesta quinta-feira (11) seu voto no julgamento da chamada trama golpista, que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete acusados. Em uma fala marcada por reflexões históricas e políticas, a ministra afirmou que o processo representa um “encontro do Brasil com seu passado, presente e futuro”.
Segundo a magistrada, toda ação penal exige julgamento justo, mas este caso possui caráter inédito.
“O que há de inédito talvez nessa ação penal é que nela pulsa o Brasil que me dói. A presente ação penal é quase um encontro do Brasil com seu passado, com seu presente e com seu futuro”, declarou.
Democracia ameaçada
Cármen Lúcia lembrou as rupturas institucionais que, ao longo da história, interromperam o desenvolvimento nacional e o surgimento de novas lideranças. Em sua avaliação, desde 2021 surgiram práticas antidemocráticas que ameaçaram o Estado Democrático de Direito.
“Arrou-se um terreno social e político para semear o grão maligno da antidemocracia, tentando-se romper o ciclo democrático das quase quatro décadas”, afirmou.
A ministra ressaltou que o julgamento ocorre no ano em que o Brasil celebra 40 anos de redemocratização e se aproxima do aniversário da Constituição de 1988, em 5 de outubro.
O placar até agora
Já há maioria formada para condenar o tenente-coronel Mauro Cid e o ex-ministro Walter Braga Netto pelo crime de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Até aqui:
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Alexandre de Moraes (relator) e Flávio Dino votaram pela condenação de todos os réus.
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Luiz Fux divergiu, propondo absolvição total ou parcial, inclusive de Bolsonaro.
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Cármen Lúcia, com seu voto nesta quinta-feira, pode ser decisiva para o resultado em relação a outros acusados.
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O julgamento será concluído com o voto do ministro Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma.
Debate com defesas
A ministra também se destacou na fase de sustentações orais, quando questionou o advogado Andrew Fernandes, defensor do ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira. Após o jurista afirmar que seu cliente buscava “demover” Bolsonaro de medidas extremas, a ministra interveio:
“Demover de quê? Porque até agora todo mundo diz que ninguém pensou nada, cogitou nada…”, indagou.
O advogado respondeu que se tratava de “medidas de exceção”.
Próximos passos
O julgamento seguirá nesta quinta-feira à tarde e terá sessões também na sexta-feira (12), das 9h às 19h. As decisões serão tomadas por maioria simples: três votos são suficientes para definir pela condenação ou absolvição. Em caso de condenação, as penas ainda serão fixadas, podendo variar conforme o grau de envolvimento de cada acusado.