CentroesteNews
13/01/2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a pressionar o Federal Reserve (Fed) por cortes significativos na taxa de juros, após a inflação norte-americana se manter estável em 2,7% em dezembro, reforçando o discurso de que não há justificativa para a manutenção de uma política monetária restritiva. As críticas foram direcionadas diretamente ao presidente do Fed, Jerome Powell, com quem Trump mantém um histórico de embates públicos.
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Segundo Trump, a estabilidade recente dos preços abre espaço para uma redução mais rápida dos juros, o que, em sua avaliação, impulsionaria o crescimento econômico, o crédito e o mercado de trabalho. O presidente tem afirmado que a autoridade monetária estaria atrasando decisões e prejudicando a competitividade dos Estados Unidos frente a outras economias globais.
Embora a inflação tenha apresentado alta ao longo de 2025, especialmente em razão de choques externos e ajustes no comércio internacional, os índices passaram a mostrar arrefecimento nos últimos meses. Analistas atribuem esse movimento, em parte, à adoção de isenções tarifárias seletivas, que aliviaram custos de importação e ajudaram a conter repasses de preços.
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Ainda assim, o comportamento da inflação não foi homogêneo. Os preços dos alimentos continuaram subindo acima da média, pressionando o orçamento das famílias e mantendo cautela entre formuladores de política monetária. Para o Fed, esse tipo de inflação persistente exige atenção, mesmo em um cenário de estabilidade geral do índice.
As declarações de Trump ocorrem em um momento particularmente sensível para Jerome Powell. O presidente do Fed tem sido alvo de investigação do Departamento de Justiça, relacionada a questionamentos sobre sua atuação institucional, movimento visto por aliados internacionais como parte de uma pressão política inédita sobre a independência do banco central americano.
Em reação às críticas, Powell recebeu apoio público de líderes de bancos centrais de diversos países, que divulgaram um manifesto defendendo a autonomia das autoridades monetárias como pilar da estabilidade econômica global. A iniciativa foi interpretada como um recado claro contra interferências políticas diretas na condução da política de juros.
O confronto entre Trump e o Fed é acompanhado de perto pelos mercados internacionais. Os juros americanos influenciam fluxos de capital, câmbio e decisões de investimento em todo o mundo, inclusive em países emergentes como o Brasil. Uma redução acelerada das taxas nos EUA poderia aliviar pressões financeiras globais, mas também elevar riscos de desequilíbrios futuros, caso a inflação volte a ganhar força.
Para especialistas, o episódio evidencia um choque entre a lógica política e a técnica econômica, colocando à prova a independência do Fed em um dos momentos mais delicados do cenário internacional recente.