A chuva que não deu trégua transformou ruas em rios, casas em escombros e a rotina de milhares de famílias em um cenário de dor na Zona da Mata mineira. Pelo menos 25 pessoas morreram e 45 estão desaparecidas após os temporais que atingiram principalmente os municípios de Juiz de Fora e Ubá.
Em Juiz de Fora, 18 mortes foram confirmadas e cerca de 440 pessoas estão desabrigadas. Na madrugada desta terça-feira (24), a prefeitura decretou estado de calamidade pública e suspendeu as aulas em toda a rede municipal. O Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais realiza buscas por ao menos 41 desaparecidos.
Entre as vítimas estão estudantes e uma professora. As mortes ocorreram em bairros como JK, Santa Rita, Vila Ideal, Lourdes, Vila Alpina, São Benedito e Vila Olavo Costa. A cidade, marcada por relevo acidentado, com morros e encostas, voltou a sofrer com deslizamentos e soterramentos.
Segundo a prefeitura, este já é o fevereiro mais chuvoso da história do município, com 584 milímetros acumulados, o dobro do esperado para o mês. A previsão ainda indica possibilidade de mais chuva, o que mantém equipes em alerta máximo.
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Bairros devastados e famílias soterradas
Um dos pontos mais críticos é o Parque Burnier, onde 12 casas desabaram. Nove pessoas foram resgatadas com vida, quatro morreram e cerca de 20 seguem desaparecidas, entre elas, mais de cinco crianças.
No Bairro Cerâmica, duas residências vieram abaixo e cinco pessoas da mesma família permanecem soterradas. Bombeiros, Defesa Civil, Polícia Militar e equipes municipais atuam de forma ininterrupta nas buscas.
O Rio Paraibuna e diversos córregos transbordaram, interditando pontes, o mergulhão que liga bairros ao Centro e deixando árvores caídas em diferentes pontos da cidade. Os feridos resgatados foram encaminhados ao Hospital de Pronto Socorro (HPS), referência no município. A prefeitura também decretou luto oficial de três dias.
Ubá e cidades vizinhas também sofrem
Em Ubá, sete pessoas morreram e quatro estão desaparecidas após o transbordamento de um rio que inundou a Avenida Beira Rio na noite de segunda-feira (23). Imagens que circulam nas redes sociais mostram prédios desabando e moradores ilhados.
Já em Matias Barbosa, o prefeito também decretou estado de calamidade pública para agilizar o acesso a recursos federais e ampliar o atendimento às famílias afetadas pelas enchentes.
Dor, perdas e reconstrução
“Perdemos tudo: móveis, carros, tudo”, desabafou uma moradora que viu a água tomar a casa em poucos minutos. Histórias como essa se multiplicam nas áreas atingidas, onde muitas famílias agora dependem de abrigos públicos e da solidariedade da população.
Enquanto as buscas continuam e a chuva ainda ameaça, a Zona da Mata vive dias de luto, apreensão e mobilização.