CentroesteNews
15/08/2025
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta sexta-feira (15), a Operação Contraprova, para desarticular uma rede de laboratórios acusada de fraudar e falsificar exames laboratoriais. A ação cumpriu 11 ordens judiciais contra os proprietários e resultou na interdição de três unidades, localizadas em Cuiabá, Sinop e Sorriso.
As investigações, conduzidas pela Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon), apontam que a rede realizava exames para órgãos públicos — incluindo a Câmara e a Prefeitura de Cuiabá —, clínicas médicas, nutricionistas, convênios de saúde e pacientes particulares. Entre os testes oferecidos estavam análises de covid-19, exames toxicológicos e diagnósticos para doenças como sífilis, HIV e hepatites.
De acordo com a polícia, as amostras coletadas não eram analisadas nem enviadas para outros laboratórios, como alegavam os sócios. Em vez disso, o material biológico era simplesmente descartado, e os laudos, falsificados pelo responsável técnico, um biomédico que teve o registro profissional suspenso e foi preso preventivamente.
As ordens judiciais também determinam a suspensão dos contratos da empresa com órgãos públicos e proíbem os sócios de firmar novos acordos com a União, estados ou municípios. Além disso, foram apreendidas armas, munições e documentos durante as buscas.
O caso começou a ser investigado em abril, após denúncia à Vigilância Sanitária Municipal de Cuiabá, que já havia interditado uma das unidades e prendido o responsável técnico em flagrante.
Os investigados poderão responder por estelionato, falsificação de documento particular, peculato e associação criminosa, crimes cujas penas somadas podem chegar a 25 anos de prisão, além de multa.
O nome “Contraprova” faz referência ao exame utilizado para confirmar a veracidade de um resultado laboratorial, simbolizando a atuação da Polícia Civil para expor e interromper o esquema fraudulento.