A Polícia Federal levou mais de sete meses para encaminhar ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), informações obtidas após a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.
A quebra dos sigilos havia sido autorizada por Mendonça a pedido da própria PF, dentro das investigações sobre suspeitas de fraudes envolvendo descontos indevidos no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Diante da demora no envio das informações, o ministro determinou que a PF encaminhasse ao gabinete dele os chamados dados brutos, ou seja, o conteúdo integral obtido durante as quebras de sigilo.
A determinação provocou um impasse entre Mendonça e a direção da PF. Segundo a reportagem, a corporação interpretou a solicitação como uma possível interferência na autonomia das investigações e chegou a consultar a Advocacia-Geral da União (AGU) sobre uma eventual reação judicial.
O episódio se tornou um dos pontos de atrito entre o ministro e a Polícia Federal. Enquanto a corporação sustenta que os procedimentos adotados fazem parte da condução da investigação, o gabinete de Mendonça questiona o período levado para compartilhar as informações solicitadas.