CentroesteNews
12/11/2025
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (12), a Operação Mykyara II, com o objetivo de combater o desmatamento e a exploração ilegal de madeira no interior da Terra Indígena Myky, localizada entre os municípios de Brasnorte e Juína, em Mato Grosso.
Esta segunda fase é um desdobramento da operação deflagrada em agosto de 2025, e visa aprofundar as investigações sobre a atuação de grupos criminosos que exploram recursos naturais em território tradicional indígena. Cerca de 55 policiais federais participaram da ação, cumprindo nove mandados de prisão preventiva e 11 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Juízo das Garantias da Subseção Judiciária de Juína/MT.
De acordo com as investigações, imagens de satélite revelaram que, somente em 2024, o desmatamento ilegal na Terra Indígena Myky chegou a 1.142,88 hectares, resultado de corte seletivo de madeira nobre.
A apuração também identificou graves ameaças a mulheres indígenas, feitas por madeireiros que tentaram intimidar lideranças locais contrárias à exploração criminosa. As ameaças estão sendo investigadas como possíveis crimes contra os direitos humanos e contra os povos originários.
Na primeira fase da operação, a PF já havia identificado os responsáveis pela extração e receptação da madeira, além de constatar a prática de crimes contra a fauna silvestre, incluindo a caça de espécies protegidas, como onça-pintada, anta e queixada.
A Operação Mykyara II reforça o compromisso da Polícia Federal com a defesa dos povos indígenas, a preservação da Amazônia mato-grossense e o enfrentamento aos crimes ambientais.
Segundo a corporação, as ações integram uma estratégia nacional de proteção das terras indígenas e combate às redes criminosas que lucram com o desmatamento, a extração ilegal de madeira e a caça predatória.
“Nosso objetivo é proteger a floresta e as comunidades que vivem nela, garantindo que os recursos naturais sejam preservados e que os responsáveis pelos crimes ambientais sejam responsabilizados”, destacou a PF em nota.
As investigações continuam para identificar outros envolvidos e apurar possíveis conexões com empresas e compradores que se beneficiaram do comércio ilegal de madeira extraída do território indígena.