A Polícia Federal investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) e o advogado Willer Tomaz, amigo do parlamentar. A apuração também alcança o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) e o ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ). O inquérito está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo e confirmadas pelo GLOBO, a investigação começou a partir de suspeitas relacionadas a movimentações financeiras de Willer Tomaz e a empresas ligadas ao setor de apostas. A PF apura se estruturas empresariais e transações financeiras teriam sido utilizadas para ocultar a origem ou o destino de recursos. Tomaz nega irregularidades.
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Um dos pontos investigados envolve a relação de Tomaz com empresas do setor de apostas e uma licitação realizada no Rio de Janeiro. A PF apura possíveis irregularidades no processo que levou uma empresa apontada como ligada a Tomaz a vencer uma licitação relacionada à Loterj, a loteria estadual do Rio. Os investigadores também analisam possíveis relações entre o advogado e pessoas ligadas à administração de Cláudio Castro. O ex-governador nega ter interferido na licitação ou cometido irregularidades.
A investigação também alcança Alexandre Ramagem. Segundo as informações divulgadas, os investigadores analisam pagamentos que teriam sido realizados por meio da empresa Torre Comunicação Estratégica, incluindo valores relacionados à atuação política de Ramagem. A apuração busca esclarecer a origem dos recursos e a natureza dessas transações.
Flávio Bolsonaro entrou no foco da investigação após elementos reunidos pela PF apontarem uma relação financeira e empresarial a ser esclarecida com Tomaz. Entre os dados analisados está o acesso do senador, como usuário master, a uma conta vinculada à empresa offshore Alcazar Holdings, da qual Tomaz é sócio. A PF também investiga viagens de Flávio à Europa que teriam sido custeadas por uma empresa ligada ao advogado. Flávio afirma que sua relação com Tomaz é de amizade e classificou as acusações como “fake news”.
Outro braço da investigação envolve a possível obtenção e vazamento de informações sigilosas do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Segundo a apuração da PF, documentos e minutas de decisões judiciais teriam chegado antecipadamente ao advogado. Os investigadores também analisam a atuação de pessoas que teriam facilitado o acesso a essas informações. Tomaz nega ter recebido documentos de maneira irregular.
A dimensão financeira da investigação também chamou atenção. Segundo informações obtidas pela CNN Brasil, uma conta bancária ligada a Willer Tomaz movimentou aproximadamente R$ 130 milhões em apenas três meses, entre março e maio de 2025. Para os investigadores, o volume e o período analisado justificam o aprofundamento da apuração sobre a origem dos recursos.
Apesar da gravidade das suspeitas, a investigação ainda está em andamento e não significa que os citados tenham sido considerados culpados. Cabe à Polícia Federal reunir elementos e ao Ministério Público avaliar eventuais responsabilidades, enquanto a Justiça deverá analisar as provas produzidas no decorrer do processo.