A disparada do preço do petróleo no mercado internacional, impulsionada pelas tensões e conflitos no Oriente Médio, pode trazer um efeito bilionário para a economia brasileira. De acordo com cálculos realizados pela corretora Warren Investimentos, caso o barril do petróleo permaneça com preço médio de US$ 100 entre maio e dezembro de 2026, o fluxo cambial comercial do Brasil poderá aumentar em US$ 11,279 bilhões em relação ao registrado no ano anterior.
O estudo leva em consideração o desempenho do grupo “Óleos Brutos de Petróleo ou de Minerais Betuminosos” no comércio exterior brasileiro. Em 2025, esse segmento apresentou saldo líquido de US$ 38,01 bilhões, consolidando-se como um dos principais responsáveis pela geração de divisas para o país.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o petróleo respondeu por 12,8% das exportações brasileiras e apenas 2,4% das importações em 2025. A cotação média do barril naquele período ficou em US$ 68.
A metodologia utilizada pela Warren compara dois cenários distintos: um cenário-base com o petróleo Brent cotado a US$ 70 por barril — patamar observado antes da escalada do conflito no Oriente Médio — e cenários alternativos com preços médios mais elevados entre maio e dezembro de 2026.
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Para calcular o impacto exclusivamente relacionado ao preço, a análise manteve constantes os volumes exportados e importados, utilizando a média registrada em 2025. O estudo também parte da premissa de que não haverá mudanças significativas na demanda global por petróleo durante o período analisado.
Com isso, o valor adicional em dólares seria resultado direto da diferença entre o preço do barril no cenário atual e o valor-base de US$ 70, aplicado sobre a quantidade média exportada e importada pelo Brasil. O efeito líquido positivo no fluxo cambial comercial ocorre porque o país exporta muito mais petróleo do que importa.
Especialistas avaliam que um cenário de petróleo mais caro tende a fortalecer o superávit comercial brasileiro, aumentar a entrada de dólares e favorecer a arrecadação de royalties e participações especiais para estados e municípios produtores. Por outro lado, preços elevados também podem pressionar combustíveis, fretes e a inflação interna, gerando impactos no custo de vida da população.
Além disso, o movimento do petróleo tem influência direta sobre o câmbio. Uma entrada maior de dólares pode ajudar a reduzir pressões sobre o real frente à moeda norte-americana, embora fatores internacionais e decisões de política monetária continuem sendo determinantes para o comportamento do mercado financeiro.
Economistas alertam, porém, que a volatilidade geopolítica ainda representa um risco elevado. Caso o conflito no Oriente Médio se agrave, novas oscilações bruscas no petróleo podem afetar mercados globais, bolsas de valores e cadeias produtivas em diversos países.