A possibilidade de o universo acabar de forma instantânea — quase como em um cenário de ficção científica — é uma hipótese que existe dentro da física moderna e vem sendo discutida por cientistas há décadas. A teoria está relacionada ao chamado “falso vácuo”, um conceito da mecânica quântica e da teoria quântica de campos que tenta explicar a estabilidade do próprio universo.
Apesar do impacto da ideia, especialistas reforçam que não há motivo para preocupação. A hipótese ainda não foi comprovada experimentalmente e é considerada extremamente improvável de acontecer em qualquer escala de tempo próxima da realidade humana.
Na linguagem cotidiana, o termo “vácuo” costuma ser associado ao vazio absoluto. Na física, porém, o conceito possui outro significado. O vácuo representa o estado de menor energia possível dos campos fundamentais que compõem o universo.
O ponto central da hipótese do falso vácuo é que o universo talvez não esteja em seu estado mais estável. Segundo o físico teórico Rendisley Aristóteles dos Santos, o cosmos pode estar em um estado chamado metaestável — aparentemente estável, mas ainda sujeito a uma transição para um estado mais profundo e definitivo.
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Para explicar o conceito, cientistas costumam utilizar a analogia de uma bola parada em um vale. A bola parece estável porque não está se movendo, mas pode existir um vale ainda mais profundo próximo dali. O local atual seria o chamado falso vácuo, enquanto o vale mais profundo representaria o “vácuo verdadeiro”.
Caso essa transição ocorresse, ela poderia gerar uma mudança radical nas leis fundamentais da física. Em teoria, uma “bolha” do vácuo verdadeiro se expandiria na velocidade da luz, alterando partículas, forças e estruturas do universo de maneira irreversível.
No entanto, físicos ressaltam que, mesmo que o universo seja realmente metaestável, esse estado pode durar um período gigantesco — muito maior do que a idade atual do universo, estimada em cerca de 13,8 bilhões de anos.
A hipótese ganhou notoriedade principalmente após estudos envolvendo o bóson de Higgs e cálculos relacionados à estabilidade do campo quântico associado à partícula descoberta em 2012 no CERN.
Embora fascinante do ponto de vista científico, a ideia continua sendo apenas uma possibilidade teórica dentro dos modelos atuais da física. Pesquisadores afirmam que ainda existem muitas incertezas sobre a estrutura do universo e sobre o comportamento dos campos fundamentais em escalas extremas.
A discussão sobre o falso vácuo também ajuda cientistas a aprofundarem o entendimento sobre origem do cosmos, energia escura, inflação cósmica e as leis que governam a existência do universo.