Mesmo diante do cenário de juros elevados e do alto nível de endividamento das famílias brasileiras, a disposição dos consumidores para presentear no Dia das Mães segue em alta. A intenção de compras para a data atingiu 85,7% em 2026, o maior índice registrado desde 2014.
O resultado representa crescimento em relação ao ano passado, quando o indicador ficou em 84,3%, segundo levantamentos realizados pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) e pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
De acordo com a economista Anna Carolina Gouveia, a quinta alta consecutiva do indicador reflete fatores como manutenção do emprego, renda relativamente estável e inflação mais controlada, o que ainda permite algum espaço no orçamento das famílias para compras em datas comemorativas.
Apesar disso, o nível de endividamento segue elevado no país. Dados divulgados pela Serasa apontam que o Brasil possui atualmente 82,8 milhões de pessoas endividadas, o equivalente a cerca de 49% da população adulta.
O levantamento foi divulgado poucos dias após o governo federal lançar o programa Desenrola 2.0, iniciativa voltada à renegociação de dívidas e redução da inadimplência no país.
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Entre os presentes mais procurados para o Dia das Mães, o vestuário lidera a preferência dos consumidores, aparecendo em 36,5% das respostas — percentual superior ao registrado no ano anterior, quando ficou em 32,7%.
Na sequência aparecem produtos de perfumaria e cosméticos, além de flores, calçados, itens para casa, livros, eletrônicos e dinheiro como presente.
Experiências ligadas à gastronomia também ganharam destaque nas intenções de compra. O segmento inclui almoços, jantares, cafés da manhã especiais e cestas comemorativas. Já o setor de lazer envolve passeios, viagens, cinema, teatro, shows e serviços de spa.
Segundo estimativa da CNC, o comércio brasileiro deve movimentar cerca de R$ 14,47 bilhões com o Dia das Mães neste ano, valor 1,5% superior ao faturamento registrado na mesma data em 2025.
Para o varejo, o Dia das Mães é considerado a data mais importante do primeiro semestre, ficando atrás apenas do Natal no calendário anual de vendas. O período costuma impulsionar lojas de roupas, perfumes, restaurantes, floriculturas, shopping centers e comércio eletrônico.
Especialistas avaliam que promoções, parcelamentos e campanhas digitais continuam sendo estratégias fundamentais para estimular as vendas, principalmente em um momento em que parte significativa da população ainda enfrenta dificuldades financeiras.