A montadora japonesa Nissan anunciou nesta sexta-feira (24) que está em negociações para transferir sua operação na Argentina para grupos empresariais locais, em mais um movimento de reestruturação de suas atividades na América Latina. A empresa informou que já assinou memorandos de entendimento para viabilizar o novo modelo de negócios no país.
Caso a operação seja concluída, a tendência é que a Argentina deixe de ter atuação industrial direta da marca e passe a funcionar principalmente como mercado importador de veículos Nissan. A mudança reforça uma estratégia iniciada em 2025, quando a empresa encerrou a produção na fábrica de Santa Isabel, em Córdoba, onde montava a picape Frontier desde 2018.
Desde então, a Nissan vinha operando apenas com importação e distribuição no mercado argentino. Agora, a possível transferência para grupos locais sinaliza uma retirada ainda maior da presença produtiva da companhia no país vizinho.
A decisão ocorre em um momento delicado para a indústria automotiva argentina, que enfrenta queda nas exportações, aumento da concorrência externa e perda de competitividade. O setor, historicamente importante para a geração de empregos e exportações, vem sofrendo forte desaceleração nos últimos anos.
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Outro exemplo recente foi o anúncio da Stellantis, em março, de redução pela metade da produção em sua unidade de El Palomar, na província de Buenos Aires. A empresa encerrou um dos turnos da fábrica e abriu programa de demissão voluntária. A planta emprega mais de 2 mil trabalhadores e produz os modelos Peugeot 208 e 2008.
As vendas desses veículos também recuaram. O Peugeot 208 registrou queda próxima de 30% no início de 2026, enquanto o 2008 teve retração de 17% no mesmo período, segundo dados do mercado local.
A crise atinge ainda fornecedores e empresas da cadeia produtiva. Em fevereiro, a Fate, maior fabricante de pneus da Argentina, anunciou o fechamento de uma de suas unidades após mais de 80 anos de operação, resultando em cerca de 900 demissões.
Dados do setor apontam que, entre 2023 e 2025, as importações de pneus cresceram 34%, enquanto os preços internos caíram 42%, pressionando margens e dificultando a continuidade da produção nacional.
O cenário econômico argentino também preocupa por números mais amplos: o país acumula o fechamento de milhares de empresas e forte redução de empregos formais, refletindo os desafios enfrentados pela indústria em meio às reformas econômicas e ao atual ambiente político.
Especialistas avaliam que a recuperação do setor dependerá de estabilidade macroeconômica, estímulo ao investimento produtivo e retomada do consumo interno.