A morte de Nemesio Rubén Oseguera Cervantes, conhecido como El Mencho, líder do poderoso Cartel de Jalisco Nova Geração (CJNG), mergulhou o México em um cenário de caos e violência. A operação que levou à queda do narcotraficante, realizada no domingo (22), resultou em uma intensa reação de sua organização criminosa, com bloqueios em mais de 250 vias, fechamento de escolas e cancelamento de operações internacionais no Aeroporto de Puerto Vallarta.
A ação que culminou na morte de El Mencho ocorreu em Tapalpa, cidade localizada no estado de Jalisco, a aproximadamente 130 quilômetros de Guadalajara. Conhecido por ser um dos traficantes mais procurados pelos Estados Unidos, El Mencho estava no radar da Administração de Controle de Drogas (DEA) desde 2020, que oferecia uma recompensa de até US$ 15 milhões por informações que levassem à sua prisão. Sua liderança no CJNG era central no tráfico internacional de drogas, especialmente no fornecimento de fentanil e metanfetamina para os EUA. Essa operação reflete pressões diretas do governo americano sobre o México por ações mais contundentes contra cartéis.
O saldo da operação foi pesado. De acordo com Omar Garcia Harfuch, secretário de segurança do México, pelo menos 73 pessoas morreram, entre elas 25 membros da Guarda Nacional, agentes do governo e integrantes do próprio cartel. Também foram apreendidas armas de uso exclusivo militar, incluindo lançadores capazes de derrubar aeronaves e destruir veículos blindados, o que revela o alto poder de fogo do CJNG.
A escalada de violência que seguiu a morte do líder reafirma a complexidade do combate ao narcotráfico no México, onde grupos criminosos continuam a desafiar o Estado em um conflito marcado por brutalidade e impunidade. A capital do estado, Guadalajara, e outras cidades dentro e fora de Jalisco foram tomadas por ações violentas do cartel, em uma espécie de retaliação que trouxe ainda mais instabilidade e reforçou o clima de medo entre a população.
Em meio a tudo isso, a Casa Branca se pronunciou. Karoline Leavitt, porta-voz do governo dos Estados Unidos, revelou que o país ofereceu apoio de inteligência às forças mexicanas durante a operação. Ela destacou a importância da captura de El Mencho, descrevendo-o como um dos maiores responsáveis pelo fluxo de fentanil para solo americano.
Apesar do êxito na neutralização de um dos chefes do narcotráfico mais perigosos do mundo, a morte de El Mencho deixa um rastro de perguntas sobre o futuro da violência no México. Sem a presença do líder à frente do CJNG, as atenções agora se voltam para possíveis disputas internas pelo controle do cartel e os novos desafios que isso pode trazer tanto para o governo mexicano quanto para a relação com os Estados Unidos na luta contra o narcotráfico.