A Nova Piratininga, considerada a maior fazenda de gado do país, vem chamando atenção pelo tamanho da operação e pelo modelo tecnológico adotado na produção de carne bovina em larga escala.
Os bastidores da propriedade foram apresentados nesta quarta-feira (13) pelo programa Giro do Boi, revelando detalhes do maior projeto de ciclo completo da pecuária brasileira.
Com um rebanho que varia entre 120 mil e 125 mil cabeças de gado e uma área de aproximadamente 200 mil hectares distribuídos entre Goiás e Tocantins, a fazenda utiliza estratégias intensivas para aumentar produtividade e eficiência alimentar.
TIP virou peça central da operação
Segundo o gerente de pecuária da propriedade, Pedro Vinícius Souza Alves, a principal ferramenta utilizada atualmente é o sistema TIP — Terminação Intensiva a Pasto.
O modelo permite acelerar o ganho de peso do rebanho mantendo os animais em áreas de pastagem com suplementação nutricional intensiva.
Entre na comunidade de WhatsApp do Centroeste News e receba notícias em tempo real
Na prática, o sistema é utilizado principalmente para terminar cerca de 10 mil fêmeas por ano, transformando animais de descarte em carcaças de maior valor agregado para o mercado frigorífico.
Produção própria reduz custos
Outro diferencial estratégico da fazenda é a produção própria de grãos para alimentação animal.
A Nova Piratininga cultiva cerca de 13 mil hectares de lavoura destinados ao abastecimento do confinamento e da suplementação do gado, reduzindo custos operacionais e aumentando o controle sobre a nutrição do rebanho.
Entre os principais insumos utilizados estão:
- sorgo reidratado;
- torta de algodão;
- farelo de soja;
- DDG (subproduto do etanol de milho).
A logística favorece o aproveitamento de produtos agrícolas disponíveis na região, especialmente próximos às usinas de etanol.
Tecnologia aumenta digestibilidade
Um dos pontos mais inovadores do sistema é o processo de reidratação e ensilagem do grão de sorgo por até 70 dias.
Segundo os responsáveis pela fazenda, a técnica aumenta significativamente a digestibilidade do alimento, melhorando a eficiência alimentar e o desempenho do gado.
A estratégia permite:
- maior ganho de peso;
- redução de desperdícios;
- melhora na conversão alimentar;
- otimização de custos da produção.
Pecuária brasileira cada vez mais intensiva
O modelo adotado pela Nova Piratininga reflete a transformação da pecuária brasileira, que vem incorporando tecnologias de manejo, genética, nutrição e integração lavoura-pecuária para elevar produtividade sem depender apenas da expansão territorial.
Especialistas apontam que sistemas intensivos como a TIP vêm ganhando espaço devido:
- à demanda global por proteína;
- à necessidade de maior eficiência;
- à pressão ambiental;
- ao aumento da competitividade internacional.