CentroesteNews
27/10/2025
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se reuniram neste domingo (26), em Kuala Lumpur, na Malásia, em um encontro que marcou a reaproximação diplomática entre os dois países. A conversa durou cerca de 45 minutos e foi classificada por Lula como “muito positiva”, especialmente pela possibilidade de suspensão temporária do chamado tarifaço aplicado pelos EUA a produtos brasileiros.
Após a reunião, Lula publicou uma foto do aperto de mão com Trump, anunciando que equipes brasileiras e norte-americanas já iniciaram negociações para rever tarifas e sanções impostas aos setores de exportação do Brasil.
De acordo com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o governo brasileiro pediu que os Estados Unidos suspendam temporariamente as tarifas enquanto as negociações avançam.
“A reunião foi muito positiva. O presidente Trump determinou que sua equipe inicie imediatamente um processo de negociações bilaterais”, afirmou o chanceler.
A expectativa do Itamaraty é de que em poucas semanas haja avanço sobre cada um dos setores afetados pelas tarifas norte-americanas.
Vieira destacou que Trump demonstrou abertura para reforçar a parceria com o Brasil e buscar conciliação em temas econômicos e comerciais.
“Houve concordância em suspender as tarifas enquanto as conversas avançam”, disse o ministro.
Durante o encontro, Lula abordou o conflito diplomático envolvendo Estados Unidos e Venezuela e propôs que o Brasil atue como mediador na busca por uma saída pacífica.
“A América Latina é uma região de paz. O Brasil pode ajudar no diálogo”, afirmou Lula, segundo Vieira.
Trump teria agradecido o gesto e mostrado disposição para considerar a proposta.
Outro tema sensível discutido foi a aplicação da Lei Magnitsky, que permite aos EUA aplicar sanções a autoridades acusadas de corrupção ou violações de direitos humanos.
Lula classificou como injustas as sanções impostas a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), defendendo a autonomia e a legalidade das decisões do Judiciário brasileiro.
“As decisões da Suprema Corte respeitam a Constituição e não constituem perseguição política”, argumentou o presidente.
Interlocutores do Itamaraty consideraram o encontro um passo estratégico para reconstruir laços políticos e econômicos entre os dois países, após um período de distanciamento.
As equipes já trabalham em um cronograma de negociações que envolve comércio, cooperação regional e política externa.