CentroesteNews
21/08/2025
Uma pesquisa inédita do Instituto Semeia, lançada nesta quinta-feira (21), aponta que a maior parte dos gestores públicos e concessionários aprova o modelo de concessão de parques naturais e urbanos à iniciativa privada — responsável hoje pela conservação de 6,1 mil km² de cobertura verde no país. O estudo “Diagnóstico da Gestão em Parques com Concessão” identificou avanços na atração de públicos e na oferta de serviços, ao mesmo tempo em que revelou fragilidades na gestão contratual e na agilidade administrativa.
Entre os principais achados estão a aprovação de 77% dos entrevistados às ações para atrair novos públicos, com destaque para 76% que avaliaram positivamente iniciativas voltadas a crianças. A diversificação de atividades, realização de eventos e melhoria nas informações ao visitante também receberam avaliações favoráveis; já 53% viram impactos positivos no desenvolvimento do território onde os parques estão inseridos.
Por outro lado, a disponibilidade de ferramentas para gestão contratual foi reprovada por 60% dos participantes, e metade dos gestores manifestou insatisfação com a lentidão na aprovação de obras e com determinadas ações ambientais.
O levantamento ouviu gestores de contratos de concessão do setor privado e de entes públicos nas três esferas (municipal, estadual e federal), cobrindo 28 contratos — sendo 21 parques naturais e 7 parques urbanos. A metodologia avaliou quatro dimensões: gestão e governança; visitação e uso público; impacto socioeconômico; e conservação da natureza.
Para Bárbara Matos, gerente de estruturação e gestão de parcerias em parques do Instituto Semeia, o diagnóstico tem caráter propositivo: além de mapear problemas e acertos, o estudo traz recomendações e boas práticas para aprimorar a condução dos contratos, com foco em transparência, eficiência e qualidade na entrega dos serviços à sociedade. “O objetivo é potencializar o desenvolvimento socioeconômico sustentável dos parques, valorizando atributos cênicos, geológicos, hídricos e culturais”, afirmou.
As principais recomendações do relatório incluem o fortalecimento da atuação do poder público, a ampliação dos canais de diálogo com a sociedade, a formação de equipes multidisciplinares, a formalização de procedimentos por portarias e instruções normativas, a alocação de recursos financeiros e tecnológicos adequados e a adoção de manuais de gestão contratual para padronizar processos. Segundo o Instituto, essas medidas são essenciais para garantir contratos mais eficientes, inclusivos e alinhados ao interesse coletivo.
O diagnóstico deve servir como base para ajustes contratuais e ações de governança, e o Instituto Semeia prevê disponibilizar o relatório completo para gestores e público interessado a fim de auxiliar na implementação das recomendações.