Os Estados Unidos anunciaram a remoção do excedente de urânio altamente enriquecido (HEU) do reator de pesquisa RV-1, na Venezuela, em uma operação conjunta realizada com o governo venezuelano, o Reino Unido e com apoio técnico da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Segundo o Departamento de Estado americano, a ação foi concluída com sucesso e representa um avanço importante para a segurança nuclear internacional. O material nuclear estava armazenado no RV-1, o primeiro e único reator nuclear da Venezuela, atualmente desativado.
O reator foi originalmente construído para fins de pesquisa científica pacífica durante o programa “Átomos para a Paz”, iniciativa criada pelos Estados Unidos na década de 1950 para incentivar o uso civil da energia nuclear em outros países. Posteriormente, o RV-1 passou a ser utilizado em atividades como esterilização por raios gama de equipamentos médicos, alimentos e outros materiais.
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De acordo com o comunicado oficial, o governo venezuelano preparou e embalou o material nuclear para transporte no fim de abril, permitindo a retirada do urânio enriquecido mais de dois anos antes do cronograma inicialmente previsto pelas autoridades internacionais.
Especialistas em segurança internacional avaliam que a remoção do material reduz riscos relacionados à proliferação nuclear e ao armazenamento de combustível altamente enriquecido em instalações desativadas. O HEU é considerado sensível porque pode ser utilizado tanto para fins civis quanto militares, dependendo do nível de enriquecimento e da aplicação tecnológica.
A operação também foi vista como um raro exemplo de cooperação técnica entre Estados Unidos e Venezuela em meio às tensões diplomáticas históricas entre os dois países. A participação da Agência Internacional de Energia Atômica reforçou o monitoramento internacional sobre o transporte e a destinação segura do material nuclear.
Autoridades americanas classificaram a operação como um marco importante para a não proliferação nuclear e destacaram que a remoção foi realizada em poucos meses, em prazo considerado muito inferior ao planejado inicialmente.
Analistas apontam que iniciativas desse tipo são acompanhadas de perto pela comunidade internacional devido aos riscos globais relacionados ao tráfico de material radioativo, terrorismo nuclear e segurança de instalações atômicas desativadas.