A tecnologia se tornou uma das principais aliadas das investigações modernas. No Brasil, a Polícia Federal do Brasil utiliza ferramentas avançadas de perícia digital capazes de acessar dados de celulares apreendidos, mesmo quando os aparelhos estão bloqueados, desligados ou com informações aparentemente apagadas.
Esses recursos são usados em investigações complexas e ajudam a recuperar mensagens, arquivos, fotos e registros que podem servir como provas importantes em processos judiciais.
Softwares especializados
Entre os programas utilizados por autoridades de diversos países estão o Cellebrite, desenvolvido em Israel, e o GrayKey, criado nos Estados Unidos.
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Essas ferramentas conseguem acessar dados de celulares Android e iPhones, mesmo quando os aparelhos estão protegidos por senha. Em muitos casos, o acesso é feito conectando o dispositivo a equipamentos especializados por meio de cabo USB.
Os programas tentam descobrir ou contornar o código de desbloqueio do aparelho e, uma vez conectados, permitem extrair informações armazenadas no dispositivo.
Ferramenta criada no Brasil
Além dessas tecnologias internacionais, a própria Polícia Federal desenvolveu um sistema chamado IPED.
Criado em 2012 por peritos brasileiros, o programa é usado para organizar e analisar grandes volumes de dados coletados em investigações digitais. Ele faz uma varredura completa no conteúdo de celulares, computadores e outros dispositivos.
O sistema permite localizar rapidamente informações dentro de conversas, arquivos e documentos. Também consegue identificar padrões específicos, como números de CPF, valores em dinheiro ou palavras-chave relevantes para a investigação.
Outra função importante do IPED é extrair textos que aparecem dentro de imagens, usando tecnologia semelhante à utilizada em sistemas que identificam placas de veículos em radares de trânsito.
Proteção contra apagamento remoto
Quando um celular é apreendido, uma das primeiras preocupações dos investigadores é evitar que dados sejam apagados remotamente.
Para isso, o aparelho costuma ser colocado dentro de um recipiente especial baseado no conceito científico chamado Gaiola de Faraday.
Esse tipo de recipiente, que pode ser uma bolsa ou caixa com revestimento metálico, bloqueia sinais externos como internet, Wi-Fi e rede de celular. Assim, o aparelho fica isolado e não consegue se comunicar com o mundo exterior.
Com isso, impede-se que o dono do dispositivo ou algum sistema automatizado tente apagar arquivos à distância.
Recuperação de dados apagados
Mesmo quando mensagens são deletadas pelo usuário, muitas vezes elas ainda permanecem armazenadas na memória do celular.
Os programas de perícia conseguem localizar esses fragmentos e reconstruir as informações apagadas, permitindo que conversas e registros sejam recuperados durante a investigação.
No entanto, conteúdos enviados com visualização única geralmente não podem ser restaurados após serem apagados.
Técnica para celulares desligados
Quando o aparelho está desligado, danificado ou com forte proteção de segurança, os especialistas podem recorrer a um método mais avançado conhecido como chip off.
Nesse processo, o celular é desmontado e o chip de memória, onde ficam armazenados os dados, é removido fisicamente. Em seguida, ele é conectado a equipamentos de leitura capazes de extrair as informações diretamente da memória.
Apesar de ser um procedimento mais complexo, essa técnica pode recuperar dados mesmo quando o aparelho não funciona mais.
Tecnologia cara e especializada
O uso dessas ferramentas exige equipamentos caros e profissionais altamente capacitados. Segundo especialistas em segurança digital, licenças de softwares como GrayKey e Cellebrite podem custar cerca de 50 mil dólares por ano.
Mesmo assim, esses recursos se tornaram essenciais para investigações modernas, principalmente em crimes que envolvem corrupção, organizações criminosas, fraudes financeiras e ataques cibernéticos.