CentroesteNews
19/08/2025
Há mais de 20 anos, o Mato Grosso lidera a produção bovina do Brasil. Conforme levantamento do Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (Indea), já são mais de 32 milhões de cabeças, concentradas especialmente no norte e oeste do estado.
Esse número representa uma construção de mais de 20 anos desde que o Mato Grosso começou a liderar o ranking de produção bovina, em 2004. A propósito, isso faz do estado responsável por 3% das exportações de carne no cenário mundial.
De lá para cá, o número de cabeças no rebanho mato-grossense passou de 25 para 32 milhões de cabeças. Isso representa um crescimento de 28% no rebanho, um número expressivo no cenário nacional.
Por que Mato Grosso lidera a produção bovina no Brasil?
Entre os muitos fatores que favorecem o número do rebanho, o Mato Grosso lidera a produção bovina por reunir muitos deles. O clima tropical da região, por exemplo, é um excelente contribuinte para a manutenção da liderança. Afinal, nessas condições, as pastagens se mantêm mais abundantes e saudáveis, além de ser o clima para o qual a maioria das raças bovinas estão mais adaptadas.
Além do clima favorável, o desenvolvimento da produção bovina é impulsionado por outros fatores. O Mato Grosso possui, por exemplo, uma boa extensão territorial preparada para as pastagens.São mais de 21 milhões de hectares destinados a oferecer alimento para o gado.
Os avanços tecnológicos na área agropecuária também contribuem para a manutenção da liderança do estado. As estratégias dessa natureza permitem a evolução nas técnicas de confinamento efetivo, o que é capaz de reduzir significativamente, em até ⅓, o tempo de engorda.
Além disso, a aplicação de tecnologia permite a rotação de pastagens e inseminação artificial, auxilia na nutrição e ganho de peso do rebanho e potencializa o controle gerencial. O resultado é uma base sólida para decisões seguras, tomadas com base em métricas confiáveis.
O fato de se tratar de um rebanho saudável, também pode explicar o porquê o Mato Grosso lidera a produção bovina. Desde 2023, o estado é considerado como zona livre sem vacinação por não registrar nenhum caso de febre aftosa há quase três décadas.
A demanda internacional também acelera o crescimento da produção bovina no Mato Grosso. Como exemplo disso se tem a China, o principal país comprador da carne do Brasil, que faz algumas exigências para a aquisição. Entre elas, a idade limite para o abate precisa ser de 30 meses, o que estimula a redução do ciclo pecuário e a mudança no ciclo de abate.
A propósito, isso se mostra claramente na evolução desse cenário. Enquanto o índice de abates de animais jovens se mantinha em 2.6% em 2004, os níveis atuais já representam mais de 30% dos abates no Mato Grosso.
Ao longo do tempo, as práticas e manejos da agropecuária também precisaram evoluir no campo da sustentabilidade. Com o crescimento da consciência ambiental, o Mato Grosso lidera a produção bovina aplicando técnicas sustentáveis eficientes como a integração entre lavoura e pecuária e a recuperação de espaços de pastagens que perdem a utilidade.
O futuro da produção bovina
Com tudo isso, as projeções são bem otimistas para o futuro. O histórico de produção crescente da produção bovina no Brasil, conforme apontamentos do IBGE, apontam para anos vindouros promissores.
A expectativa do setor agropecuário é que 2025 se finalize com mais de 33 milhões de cabeças, crescimento da prática de confinamento, abertura de mercados como Japão e Coreia do Sul e aumento da receita em pelo menos 15%.
Para que os resultados sejam alcançados, entretanto, é necessário encontrar estratégias de coexistência com a agricultura, reforçar ações sustentáveis que causem o menor impacto possível na natureza, e melhorar as vias de escoamento que, na maioria das vezes, são rodoviárias. Assim, a sustentabilidade e logística são, ao mesmo tempo, uma evolução necessário e um desafio constante.