CentroesteNews
01/07/2025
O governo federal anunciou, nesta segunda-feira (30), que a segunda edição do Concurso Público Nacional Unificado (CNU) contará com uma medida inédita: mulheres ocuparão pelo menos metade das vagas convocadas para a segunda fase do certame, tanto nas modalidades de ampla concorrência quanto nas cotas.
A medida foi anunciada pela ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, e visa corrigir desigualdades de gênero observadas na edição anterior do concurso, realizada em 2024. Naquela ocasião, embora 56,2% dos inscritos fossem mulheres, elas foram minoria na segunda fase em sete dos oito blocos temáticos.
A segunda etapa do CNU convoca um número de candidatos correspondente a nove vezes o número de vagas disponíveis, e essa nova diretriz busca garantir maior equidade de acesso às etapas decisivas da seleção.
Desigualdade histórica nos resultados
No concurso anterior, as mulheres representaram 54,6% dos presentes na primeira fase, número inferior ao registrado no momento da inscrição. Na segunda fase, esse percentual caiu para 39,3%. A maior disparidade ocorreu no bloco E (tecnologia, dados e informação), onde as mulheres representaram apenas 8,4% dos aprovados.
Outros blocos também apresentaram forte desequilíbrio, como o bloco 6 (setores econômicos e regulação), com 25,7% de mulheres aprovadas, e as áreas de nível médio, com 26,2%. A única área com maioria feminina entre os aprovados foi o bloco 5 (educação, saúde, desenvolvimento social e direitos humanos), com 60,3% dos cargos ocupados por mulheres.
Política afirmativa, não cota
A ministra Esther Dweck destacou que a medida não se trata de uma reserva de vagas, mas sim de uma política afirmativa para garantir que mais mulheres tenham a oportunidade de avançar no processo seletivo. A decisão também leva em consideração o fato de que as mulheres acumulam responsabilidades de cuidado doméstico, o que pode afetar seu desempenho e permanência em etapas prolongadas de concursos públicos.
“Observamos que a maior taxa de aprovação entre mulheres ocorreu na faixa etária entre 35 e 45 anos, um período da vida em que elas ainda enfrentam fortes exigências relacionadas à maternidade e à família”, afirmou a ministra.
Apoio na fase de formação
Além da paridade na convocação para a segunda fase, o governo prevê ações de suporte durante os cursos de formação, caso a candidata seja aprovada. Entre as medidas adotadas estão a instalação de salas de amamentação e espaços para crianças, com cuidadores responsáveis, nos locais de formação.
A medida reforça o compromisso do governo com a inclusão de mulheres no serviço público federal, promovendo maior equidade de gênero em processos seletivos que historicamente apresentam barreiras à participação feminina, sobretudo em áreas técnicas e estratégicas.