CentroesteNews
23/10/2025
O mercado pecuário brasileiro vive um momento de contrastes regionais. Enquanto a arroba do boi gordo ultrapassa R$ 310 em Mato Grosso do Sul, impulsionada pela demanda da exportação e menor oferta de animais terminados, em Mato Grosso o preço se mantém abaixo dos R$ 300, sinalizando estabilidade e pressão nas margens dos produtores locais.
De acordo com levantamento da Scot Consultoria, o preço médio da arroba no Mato Grosso do Sul varia entre R$ 311 e R$ 315/@, especialmente nas regiões de Dourados e Campo Grande. Já dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA) mostram que, em solo mato-grossense, as cotações giram em torno de R$ 289 a R$ 295/@, com pouca variação ao longo das últimas semanas.
-
Mato Grosso do Sul (MS): arroba do boi gordo entre R$ 311 e R$ 315/@
-
Mato Grosso (MT): cotação média de R$ 294/@
-
São Paulo (SP): “boi-China” cotado a R$ 315/@, enquanto o boi comum beira os R$ 310/@
Diversos elementos influenciam o comportamento distinto entre os mercados estaduais:
-
Oferta de animais prontos para abate: MS enfrenta menor disponibilidade, o que eleva os preços.
-
Demanda internacional: o chamado “boi-China” segue valorizado em estados com frigoríficos habilitados para exportação.
-
Custos de produção: variações em insumos e alimentação impactam diretamente a disposição dos produtores em negociar.
-
Logística e estrutura de abate: regiões com melhor acesso aos frigoríficos exportadores recebem preços mais competitivos.
Segundo analistas do setor, embora os preços estejam firmes, o momento exige atenção. Relatório do Canal Rural aponta uma leve retração de até 5% nas cotações em algumas praças do país, indicando que o mercado pode estar próximo de um ponto de ajuste.
A tendência, no curto prazo, é de estabilidade com viés de alta moderada, especialmente se as exportações para a Ásia se mantiverem aquecidas e o clima continuar favorecendo a terminação a pasto.
Em Mato Grosso, o principal desafio é melhorar a competitividade. Investimentos em genética, nutrição e confinamento podem ajudar os pecuaristas a alcançar o padrão exigido para exportação e, assim, reduzir a diferença de preço em relação ao MS.
A longo prazo, o setor deve seguir atento às oscilações do dólar, às políticas de importação da China e às condições das pastagens fatores que seguirão determinando o ritmo das cotações até o fim de 2025.