A Argentina passou a integrar o grupo dos dez países considerados mais problemáticos do mundo para os direitos dos trabalhadores, segundo o mais recente Índice Global dos Direitos, divulgado pela Confederação Sindical Internacional. O relatório também inclui o Panamá e o Equador entre as nações latino-americanas que figuram na classificação mais crítica do levantamento.
Além dos três países da América Latina, a lista reúne Belarus, Egito, Essuatíni, Mianmar, Nigéria, Tunísia e Turquia.
De acordo com a entidade sindical internacional, a situação dos direitos trabalhistas na Argentina sofreu deterioração nos últimos anos. O relatório afirma que o ambiente para trabalhadores e sindicatos tornou-se mais hostil sob o governo do presidente Javier Milei, citando medidas relacionadas à contenção de protestos e manifestações.
Entre os pontos destacados está a adoção de um protocolo voltado à manutenção da ordem pública durante bloqueios de vias, medida que, segundo a CSI, amplia a atuação das forças de segurança em manifestações e gerou preocupações entre organizações sindicais e defensores dos direitos trabalhistas.
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O Índice Global dos Direitos avalia anualmente fatores como liberdade sindical, direito à negociação coletiva, direito de greve, proteção contra discriminação e condições para atuação de sindicatos. Os países são classificados em diferentes categorias, que variam desde o respeito regular aos direitos trabalhistas até situações consideradas de graves violações.
Brasil permanece em grupo de alerta
No caso do Brasil, o país foi enquadrado no Grupo 4 do relatório, categoria que reúne nações com “violações sistemáticas de direitos”. Também aparecem nessa faixa países como Costa Rica, El Salvador, Peru e Trinidad e Tobago.
Segundo a metodologia da CSI, essa classificação indica a existência de obstáculos frequentes ao exercício pleno dos direitos trabalhistas e sindicais, embora em nível inferior ao observado nos países posicionados na pior categoria do ranking.
Especialistas apontam que a avaliação dos direitos trabalhistas tem ganhado relevância global em meio às transformações do mercado de trabalho, à expansão da economia digital e aos debates sobre flexibilização das relações de emprego em diferentes países.